Ivan Storti/ Santos FC
Ivan Storti/ Santos FC

'Se eu me preocupar com o que falam de mim, eu não jogo bola'

Artilheiro demonstra preocupação com a nova geração de atacantes e revela

Entrevista com

Ricardo Oliveira, atacante do Santos

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2016 | 07h03

Ricardo Oliveira é um tipo de jogador que pode estar em extinção no Brasil. Centroavante e artilheiro do Santos, o atacante de 36 anos mostrou preocupação por ver a nova geração do futebol brasileiro mais preocupado em driblar do que fazer gol. Para ele, não é coincidência que os principais artilheiros do Brasil tenham mais de 30 anos. “Estão acabando com a posição. Precisamos de mais professores de futebol”, diz.

O Santos tem elenco para ser campeão brasileiro?

Os números nos respaldam. Eu fiquei fora por dois meses, machucado, e o Rodrigão e Joel entraram bem. Com o Lucas Lima foi a mesma coisa. Caju, Léo Cittadini e Copete substituíram bem os atletas que estavam na seleção. Elenco a gente tem e precisamos mostrar isso em campo.

Você dá conselho para os jogadores que recebem propostas?

Sim e é inevitável não mexer com a cabeça do garoto, até pela grandeza dos clubes falados. Mas os jogadores, inclusive o Gabriel (que acertou com a Inter de Milão) tem suporte familiar e cabeça boa. 

Você recebeu uma proposta milionária da China no começo do ano. Página virada?

Eu nem virei a página, eu rasguei. Se você virar, pode querer voltar. Pela minha experiência, eu tive suporte para lidar com a negociação que não deu certo e vida que segue. 

Enfrentar o Palmeiras é especial pela rivalidade? As provocações estão passando do limite? 

O futebol está chato. Faz parte do futebol a brincadeira de um torcedor com o outro e podemos fazer isso também. Já falei sobre isso, mas reforço. A careta que eu fiz após marcar um gol no Palmeiras não foi para provocar, mas para brincar pela forma que o Gabriel acertou o passe. Levaram para o lado de que eu estaria menosprezando o Palmeiras ou o Fernando Prass. Fizeram uma máscara com meu rosto de forma pejorativa, mas depois conversei com o Lucas, Dudu e Rafael Marques e eles me pediram desculpas.

Então não tem mais problemas com os jogadores do Palmeiras?

Zero. Dentro de campo, defendemos nosso time e pode acontecer de, em algum momento do jogo, o clima esquentar, porque todo mundo quer ganhar. Mas isso passa e depois cada um segue sua vida. Temos família e hoje estamos em lados opostos, mas amanhã podemos jogar juntos. Respeito é fundamental. 

Te ofende quando falam “Ele é pastor e faz uma coisa dessa?”

Nada, sinceramente. Futebol é um esporte de contato e não posso ir em uma dividida com o corpo mole, pois vou me machucar e também não vou muito duro para ferir alguém. Quanto a usarem a religião para tentar me denegrir, se eu me preocupar com o que falam de mim, eu não jogo bola. Eu sou um cara competitivo e se não fosse assim, não seria titular do Santos, mesmo tendo 36 anos de idade. 

Por falar nisso, a maioria dos artilheiros do Brasileiro já passaram dos 30 anos. Isso é coincidência?

Não, eu acho que estão acabando com os centroavantes no Brasil. Você vai lá fora e vê Suárez, Benzema, Ibrahimovic e aqui tem Grafite, Fred, eu. Acredito que ainda temos qualidade, mas precisamos de mais professores no futebol. Alguém que ensine o garoto que se espelha no Cristiano Ronaldo ou no Neymar, que ele pode driblar, mas sem esquecer de fazer gol. O Ferguson pegou o Cristiano Ronaldo e mostrou para ele a importância de marcar gol. 

Pelo jeito, teremos um professor de futebol no futuro... 

Não me seduz ser treinador de futebol. Posso mudar de ideia, porque vejo umas coisas que mexem. O Serginho Chulapa, maior artilheiro da história do São Paulo, o cara vem e me fala que eu tenho que fazer algo para ser melhor ainda. Eu tenho 36 anos e ouvir isso de alguém como ele, é fantástico. Eu dou dicas para os garotos também. Recentemente, falei com um menino sobre movimentação que ele precisa fazer para ser mais eficiente. Eu quero e gosto de ajudar. Talvez trabalhe com algo assim.

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