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Se fosse presidente da Fifa, convidaria a Ucrânia para a Copa do Mundo

Gol contra de Yarmolenko, após cobrança de falta de Bale, determina derrota e fim do sonho da seleção ucraniana, que deixa sua honra em campo, mas perde a vaga para País de Gales

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2022 | 05h00

Se eu fosse da seleção do País de Gales, teria cobrado a mesma falta batida por Bale, que gerou o gol contra de Yarmolenko, na vitória de 1 a 0 sobre a Ucrânia. O mundo queria ver a Ucrânia na Copa, mas no futebol, ou em qualquer esporte, não há espaço para combinações. É crime. Deixar de marcar ou amolecer para o rival é atitude antidesportiva, tão condenável quanto combinar resultado. Portanto, fora de cogitação em uma disputa de vaga de Copa. 

Com sua falta e o desvio de cabeça do capitão rival, Bale tirou a Ucrânia do Mundial do Catar, pôs fim ao sonho de uma nação destruída pela guerra imposta pela Rússia, de Vladimir Putin, em mais de 100 dias de conflito armado, desespero, mortes e fuga do país. 

O time ucraniano deixou sua honra em campo. Foi bravo. Jogou pelos soldados entrincheirados nas ruelas das cidades bombardeadas. Jogou pela nação resistente a Putin e pela honra de sua gente. Jogou também pelos próprios atletas. Não deu. Mas ganhou o respeito do mundo da bola.  Bale não é o vilão de tamanha tristeza. O País de Gales fez o que se esperava dele em campo, também um time que almejava a competição depois de 64 anos ausente – a última Copa foi em 1958, com derrota para o Brasil que tinha um garoto chamado Pelé. O time lutava pelos seus sonhos como a Ucrânia. E conseguiu vencer. País de Gales é uma das 32 seleções que estarão no Catar.

Tivesse eu ainda algum poder na Fifa, quebraria todas as regras da competição e convidaria a Ucrânia para a Copa. Não sei se para a competição em si, mas talvez para uma partida de abertura, antes do primeiro jogo oficial, contra algum rival não classificado ou seleção de jogadores que não estarão no evento, tipo uma seleção da Fifa da temporada.

Seria lindo ver a Ucrânia sendo aplaudida e reverenciada no Mundial do Catar de alguma forma, mesmo que somente por 90 minutos. Lembro que na Copa da África do Sul, a seleção brasileira fez um treino em Soweto num dos eventos mais lindos que vivi no futebol pelo seu significado. 

A Fifa poderia ainda ter a seleção da Ucrânia fazendo visitas e participando de treinamentos com algumas equipes durante o Mundial. Seria uma maneira de reforçar e mostrar de que lado o mundo esportivo está nessa guerra descabida.

Nunca houve nada nesse sentido e talvez fosse hora de a Fifa posicionar o futebol. A primeira Copa do Mundo foi em 1930. Depois, durante a Segunda Guerra Mundial, a Fifa parou o torneio e não disputou as edições de 1942 e 1946. O problema é que quatro anos atrás, a Fifa estava ao lado de Putin na Copa da Rússia. De qualquer maneira, a seleção russa foi impedida de seguir nas Eliminatórias europeias.

Aos ucranianos fica a gratidão de respeitar o futebol e disputar um jogo durante uma guerra covarde em seu país.

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