'Se o Dunga tiver dúvida, pode contar comigo', diz Danilo

Ex-jogador do Santos é uma das novidades da lista de convocados de Dunga para seleção brasileira e demonstra confiança

Entrevista com

Danilo, lateral-direito do Porto

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2014 | 19h51

O lateral-direito Danilo, do Porto, é uma das novidades da lista de convocados da seleção brasileira divulgada nesta terça-feira por Dunga para os amistosos contra Colômbia, no dia 5 de setembro, em Miami, e Equador, no dia 9, em Nova Jérsei. O ex-jogador do Santos retorna à seleção depois de dois anos ausente. Com Mano Menezes, ele atuou em seis partidas, mas depois da troca de comando na equipe não teve nenhuma chance com Felipão. Danilo, 23 anos, disputa vaga com o veterano Maicon, 33 anos, e demonstra confiança nesta entrevista ao Estado. “Minha volta à seleção é um passo muito pequeno para tudo aquilo que eu almejo”, diz.

 

Como você recebeu a notícia da convocação?

Estou na França porque nesta quarta-feira temos um jogo importante pelos playoffs da Liga dos Campeões contra o Lille. Eu estava descansando depois do almoço porque tinha treinado pela manhã quando meu empresário me ligou de São Paulo para me dar a notícia da convocação. Fui pego de surpresa. Eu tinha esperança de ser convocado, mas estava bastante concentrado na partida contra o Lille e acabei me desligando um pouco, mas fiquei muito feliz.

Você foi convocado pela primeira vez com o Mano, mas com o Felipão perdeu espaço na seleção. Como você vislumbra a sua trajetória na seleção com o Dunga?

Espero aproveitar melhor a oportunidade que está sendo me dada agora nessa nova fase. Quero mostrar um futebol convincente para o Dunga e toda a comissão técnica. Pretendo dar sequência ao meu trabalho na seleção porque mais difícil do que chegar na seleção é se manter.

Há expectativa que daqui para frente os atletas mais novos terão mais espaço na seleção. Isso te anima?

A renovação precisa ser feita como muito cuidado na seleção brasileira. Não adianta convocar jogadores novos que não consigam corresponder às necessidades da seleção. Estou muito feliz de ser lembrado, sei que é importante dar oportunidade a novos jogadores, mas quem foi convocado tem de jogar um bom futebol. Minha volta à seleção é um passo muito pequeno para tudo aquilo que eu almejo. Tenho de pensar jogo a jogo.

Você está no Porto desde janeiro de 2012. O que aprendeu nesse período que está na Europa?

É natural faltar uma parte da formação profissional para os jogadores brasileiros que vão para a Europa muito cedo. O futebol europeu é muito exigente taticamente. Sofri um pouco no meu primeiro ano no Porto por causa do meu posicionamento defensivo, me faltava agressividade. Foi um aspecto que eu procurei observar, aprender e me aprimorar. Sei que ainda falta muito para eu evoluir, mas acho que estou em um bom caminho para me transformar em um jogador mais completo.

Com a ausência do Daniel Alves nessa lista de convocados do Dunga ficou claro que o seu principal concorrente pela vaga de lateral-direito na seleção brasileiro é o Maicon?

Se o Dunga tiver alguma dúvida na lateral-direita, espero dar para ele a certeza de que pode contar comigo. É só o começo de um trabalho e tenho de aproveitar ao máximo. Falava-se muito de escassez de bons jogadores na lateral-direita, mas nós temos Maicon e Daniel Alves, dois jogadores de nível top mundial. Agora eu estou tendo a oportunidade de voltar à seleção e espero aproveitar da maneira possível para me manter na equipe por muito tempo.

Você estaria a disposto a voltar a jogar de volante na seleção?

Hoje, me sinto muito mais à vontade na lateral-direita. Estou jogando há três anos só nessa posição, trabalhando nos treinos sempre dessa forma. Mas se for necessário jogar no meio de campo, estou à disposição porque é uma posição em que eu já joguei no Santos e na própria seleção e não teria nenhuma dificuldade em fazer isso novamente.

Depois da derrota da seleção para a Alemanha por 7 a 1 na Copa do Mundo, o que se fala do futebol brasileiro na Europa?

Todo mundo reconhece a qualidade dos jogadores brasileiros, mas falam que é necessário um comprometimento tático maior por parte de toda a seleção. Na minha opinião, o futebol mundial vive um momento de muito mais tática do que talento. Nossa seleção tem talento de sobra, mas um pouco mais de comprometimento tático vai fazer com que nossa seleção tenha muito sucesso.

Quais são seus planos para o futuro? Especula-se que você poderia ser vendido para o Barcelona.

Tenho contrato com o Porto até 2016 e meu objetivo é ganhar mais um Campeonato Português aqui. Nesse momento, estou muito focado no Porto, no trabalho de renovação da equipe como o novo treinador. Depois que eu for campeão nacional mais vez é que vou pensar em uma possível transferência.

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