André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

'Se o MP não tomar uma atitude, vira piada', diz Romário sobre desvios na CBF

Deputado federal tenta emplacar na casa a criação de uma CPI para investigar a Confederação Brasileira de Futebol

RICARDO DELLA COLETTA, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2013 | 21h57

BRASÍLIA - A denúncia de que parte do cachê pago à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para amistosos da seleção brasileira ia para empresas com sede nos Estados Unidos e registradas em nome de Sandro Rosell, atual presidente do Barcelona, "é mais uma prova de que a CBF é uma das instituições mais corrutas do planeta". A avaliação é do campeão mundial de 1994 e hoje deputado federal Romário (sem-partido), que tenta emplacar na Casa uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a entidade.

Para o deputado, diante da denúncia, cabe ao Ministério Público investigar o caso. "Se o MP não tomar uma atitude com uma denúncia como essa, vira piada", afirmou em entrevista ao Broadcast Político. "Chega de roubo e de ficar fazendo sacanagem. Com o dinheiro que era desviado para contas de terceiros, eles podiam fomentar muito melhor o esporte amador e o esporte feminino", criticou. "Chega de roubo e de ficar fazendo sacanagem".

Hoje, o Estado revelou que uma parcela do dinheiro recebido pela CBF para amistosos da Seleção tinha como destino uma empresa nos EUA em nome do presidente do Barça, Sandro Rosell, que representou a Nike no Brasil e é amigo do ex-presidente da confederação, Ricardo Teixeira. A prática teria marcado a gestão de Teixeira na CBF a partir de 2006.

Para o deputado, as denúncias indicam que o dinheiro era usado para o enriquecimento de Teixeira e do Rosell.

Romário disse que vai insistir na instalação de uma CPI para investigar a confederação. "Espero que o presidente Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) entenda da importância da CPI". Ele relatou que há parlamentares na Casa que argumentam que, às vésperas da Copa do Mundo, não é um bom momento para o Congresso investigar a confederação que dita os rumos do futebol no País. "É o melhor momento", rebate o deputado. A CPI da CBF aguarda uma fila da Câmara para ser instalada.

Há outras cinco propostas na sua frente. Romário também disse que, diante das acusações, deveria ocorrer uma intervenção na entidade. "Eu afastaria toda a presidência e todos aqueles que fazem parte da CBF, colocaria uma empresa para fazer uma auditoria dos últimos 20 anos. Não iria sobrar um dirigente". O deputado argumentou também que a CBF deve explicações do modo como vem gerindo o futebol nacional, mesmo sendo uma entidade privada. "Ela (a CBF) deixa de repassar impostos federais, usa o hino nacional, as cores do Brasil e o maior patrimônio do futebol: os jogadores", afirmou. "Ela tem que dar uma resposta ao povo. Tem que ter uma forma de fazer com que ela coloque tudo às claras".

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