Alex Silva/ Estadão
Alex Silva/ Estadão

Se Palmeiras provar interferência, dérbi será anulado, diz procurador do TJD

Wilson Marqueti Júnior afirma que todos os depoimentos, com início na próxima terça-feira, serão abertos à imprensa

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2018 | 19h31

Se o Palmeiras conseguir provar ao TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo) que houve interferência externa na arbitragem na decisão do Campeonato Paulista, no último domingo, o jogo que decretou o título a favor do Corinthians terá o resultado anulado pelo órgão. Foi o que garantiu ao Estado o procurador-geral do TJD, Wilson Marqueti Júnior.

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"Se realmente for comprovado, aí vai ser aberto o procedimento de anulação da partida", afirmou o procurador.

O advogado explicou que serão ouvidas, a princípio, sete testemunhas, conforme o Estadão já havia antecipado nesta quinta-feira. São elas o quinteto da arbitragem que atuou no Allianz Parque, além do delegado da partida e do tutor de arbitragem, Dionísio Roberto Domingos, peça-chave da acusação feita pelos palmeirenses. 

As oitivas terão início na próxima terça-feira (17) e, de acordo com Marqueti, serão abertas à imprensa. Além dele, analisarão o caso a procuradora Priscila Carneiro de Oliveira e a 3ª Comissão Disciplinar do TJD, composta por cinco integrantes. Um deles será sorteado como relator. No dia 23, eles apresentarão a conclusão da investigação. Marqueti falou que há um prazo de 15 dias, da data de abertura do inquérito - no caso, a última terça-feira, quando o Palmeiras protocolou o pedido junto ao tribunal -, prorrogáveis por mais 15, mas que a ideia é definir a situação dentro desta primeira quinzena.

"Queremos que tudo seja feito da forma mais transparente possível", disse o procurador-geral.

O advogado explicou ainda que tinha a oportunidade de barrar o pedido inicial palmeirense, mas que achou por bem conceder ao clube a oportunidade de provar a sua tese.

"Eu tinha dois caminhos: ou arquivava ou dava encaminhamento, aceitando a abertura do inquérito. Minha decisão de aceitar foi porque tenho de dar oportunidade a eles de provarem o que acham que aconteceu. Não poderia cercear esse direito."

Marqueti explicou ainda que o CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) não prevê punição ao reclamante caso a tese não se sustente. Mas que se alguma parte acusada se sentir ofendida, poderá acionar tanto o TJD quando outra esfera judicial.

Por enquanto, ele disse que o Palmeiras apresentou "muitos vídeos", mas não teve tempo de analisá-los cuidadosamente. E que solicitou também à FPF (Federação Paulista de Futebol) todas as imagens disponíveis da partida.

Entenda o caso - O Palmeiras alega que a arbitragem sofreu influência de gente externa ao campo ao mudar o entendimento na marcação de um pênalti. Após assinalar a suposta falta do corintiano Ralf em Dudu, o árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza voltou atrás sete minutos depois, tempo no qual teria recebido, de acordo com o entendimento palmeirense, auxílio de Dionísio Roberto Domingos.

Dionísio é o chefe do Departamento de Arbitragem da Federação Paulista e estava do lado de fora do campo. O clube divulgou na terça imagens com as quais procura provar a comunicação entre ele e um dos árbitros assistentes da partida, algo proibido. Pouco depois, veio a decisão final da arbitragem apontando escanteio em vez do pênalti.

A Federação Paulista emitiu nota na quarta-feira negando interferência de Dionísio ou de qualquer outro diretor da entidade. Falou ainda que as imagens divulgadas pelo clube não provavam a interferência.

Desde o incidente, o Palmeiras rompeu relações com a entidade. Até agora, por exemplo, o clube não foi buscar o troféu e as medalhas pelo vice-campeonato, que seguem guardadas na sede da FPF, na Barra Funda.

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