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Se tiver mais 30 rivais como a Coreia do Sul, o Brasil será hexa no Catar. Só que não!

Goleada de 5 a 1 sobre os sul-coreanos não muda o estágio da seleção de Tite em sua reta final para o Mundial: foi um jogo lindo de se jogar, bonito de se ver, mas de pouca serventia para o aprimoramento do time

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2022 | 10h46

O Brasil goleou a Coreia do Sul por 5 a 1, com dois gols de Neymar. Se tiver outros 30 rivais como o time sul-coreano na Copa do Mundo do Catar, o time de Tite vai ser campeão. Escrevo isso agora, com meses de antecedência de a bola rolar no Mundial 2022. Até Gabriel Jesus quebrou seu jejum depois de 19 partidas em branco. É hexa! Só que não! A Coreia do Sul não faz frente à seleção brasileira, nunca fez, por mais que o futebol asiático tenha evoluído e alguns de seus jogadores atuem na Europa, em clubes de primeira linha. 

O Brasil sobrou em campo apesar de um primeiro tempo de muita brincadeira e preciosismo dentro da área do rival. O Brasil chutou pouco e passou demais os pés na bola, com dribles desnecessários e alguns abusos somente porque o adversário não era de primeira ou segunda linha. O jogo acontece um dia depois de o torcedor brasileiro acompanhar a Argentina, de Messi, atropelar a Itália, fora da Copa, mas de uma camisa pesada.

Por isso que todos pedem jogos da seleção contra rivais melhores e europeus. Alguém ficou entusiasmado com o resultado ou com a apresentação do Brasil, com os gols marcados e os tantos perdidos? Não. Os jogadores deitaram e rolaram, fizeram seu jogo, não foram atacados e numa das poucas vezes que isso aconteceu, Thiago Silva permitiu que o atacante sul-coreana fizesse o giro e batesse, típica jogada que normalmente não aconteceria diante de rivais mais pesados, e se acontecer, adeus Brasil. Não havia preocupação do time nacional. Era vitória cantada. 

A seleção tem e não tem culpa em marcar jogos assim. Tite quer e a comissão diz a mesma coisa. Mas a CBF não consegue encontrar rivais europeus, pelo menos é o que dizem. Neymar marcou duas vezes e jogou como se estivesse numa 'pelada', livre, leve e solto. Vinícius Júnior provocou frisson na animada torcida local, pela final da Liga dos Campeões, claro. Philippe Coutinho também marcou o seu e vai se colocando na lista para a Copa do Catar. O Brasil fez linhas altas, empurrando o time anfitrião para dentro de sua área, literalmente. E assim foi durante o jogo todo. Lindo de se jogar, bonito de se ver, mas de pouca serventia para o aprimoramento da seleção de Tite.

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