Sebá está totalmente adaptado ao Brasil

Uma descida à praia, um passeio no shopping, uma aula de "gírias" com Carlos Alberto e Fininho, um novo CD da Tribo de Jah dado por Fabrício.... O argentino Sebá está adorando o Brasil. Em três meses, já se sente totalmente adaptado ao novo país. Contratado pelo Corinthians, o zagueiro diz estar em casa. Também pudera - ele sempre se interessou por tudo que saía do Brasil e chegava à Argentina. Tanto que seu "portunhol" é excelente. Quando criança, por exemplo, adorava guaraná. "Lembro que tomava cinco garrafas por dia!", contou Sebá. Quando adolescente, no colegial, interessou-se por livros de Jorge Amado. "Meu predileto é ?Capitães de Areia?. Achei sensacional."Agora, aos 24 anos, está curtindo um pouco de tudo ao mesmo tempo. Sempre que tem uma folga no Corinthians, sai para conhecer algo novo. Não se sente turista. "Fui muito bem recebido, estou adorando aprender uma nova cultura", disse ele. "Tenho dois anos de contrato com o Corinthians, sei que vou cumpri-lo até o fim."Sebá mora num confortável apartamento de dois quartos no Tatuapé, a 10 minutos de carro do Parque São Jorge. Vive com a noiva Victoria, com quem gosta de sair para jantar. Mesmo estranhando o trânsito pesado de São Paulo, não se acanha de atravessá-la para ir até os Jardins, Vila Olímpia ou Itaim, bairros mais sofisticados da cidade. "Já decorei o caminho. E se tenho alguma dúvida, pergunto a um taxista. É tudo gente boa", afirmou, usando uma expressão tipicamente paulistana. Por causa desse entrosamento tão rápido, Sebá estranhou toda a polêmica envolvendo as relações entre argentinos e brasileiros, acirrada depois das ofensas racistas do zagueiro Desábato, do Quilmes, ao atacante Grafite, do São Paulo. "Lá na Argentina é comum as pessoas se chamarem de negro, ou nego, mas de forma carinhosa. Eu mesmo sou chamado de nego", revelou o zagueiro.O incidente entre Desábato e Grafite ocorreu na noite de quarta-feira passada. Foi naquele mesmo dia que Sebá concedeu esta entrevista à Agência Estado, no Bracia Parrilla, tradicional restaurante argentino do Tatuapé. O zagueiro corintiano jamais poderia imaginar que, no dia seguinte, teria de responder a perguntas do tipo "Argentino é racista?" ou "Argentino não gosta de brasileiro?" "Acho que está havendo um grande equívoco. A rivalidade entre os dois países só existe no futebol", opinou o zagueiro. O próprio Sebá seria a maior prova disso. "Sempre gostei do Brasil. Tem muito argentino que, como eu, ?morreria? por praias como as que vocês têm aqui. É um país lindo", derrete-se o zagueiro. "Claro que há problemas, como favelas, sujeira, poluição. Mas, se eu pudesse, se tivesse muito dinheiro, trabalharia três meses por ano e passaria o resto numa dessas praias, como Búzios, onde passei as férias." Em Búzios, Sebá teve aulas de mergulho. Agora, quer aprender a surfar. Vai comprar uma prancha e decorar o caminho até Ilhabela, litoral norte de São Paulo. No carro, vai ouvindo os CDs que tem recebido dos amigos do Corinthians. "Eu já conhecia Skank e Paralamas, que fazem sucesso na Argentina. Outras bandas eu passei a conhecer aqui, como a Tribo de Jah, que é bem legal." Depois de uma manhã na praia, pode curtir seu prato predileto: feijoada. "É uma delícia", admitiu ele. De noite, pode ir ao cinema. "Quero ver ?O Casamento de Romeu & Julieta?", contou. E na hora de conversar com os brasileiros, pode usar as expressões que tem aprendido com o carioca Carlos Alberto. "Diz aí, brou!" E assim, aos poucos, Sebá vai se "abrasileirando". Ainda mais.

Agencia Estado,

18 de abril de 2005 | 09h34

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