Maxim Shemetov/Reuters
Maxim Shemetov/Reuters

Sede da Copa, Volgogrado foi palco de batalha decisiva na 2ª Guerra

Cidade-sede, que já foi chamada de Stalingrado, quer resgatar na Copa o orgulho e a importância do povo russo na Guerra

Jamil Chade, enviado especial a Moscou, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2017 | 17h10

Entre as várias cidades que receberão a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, uma delas expõe suas fotos e tradições de maneira especialmente orgulhosa no centro de imprensa internacional de Moscou: trata-se de Volgogrado, antiga Stalingrado e local que, há 75 anos, definiu a história do século 20.

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Foi ali, no mesmo terreno que hoje conta com um moderno estádio de US$ 250 milhões (equivalente a R$ 815 milhões), que milhares de russos e alemães perderam suas vidas, em combate. Os 200 dias da Batalha de Stalingrado, na visão de historiadores, definiu o destino da Segunda Guerra Mundial e abriu caminho para a derrota do líder alemão, Adolf Hitler.

Para os soviéticos, o heroísmo dos soldados daqueles dias marcaria toda uma geração e a resistência da cidade passou a ser um poderoso instrumento de propaganda para Stalin, que esteve à frente do exército russo. Quando a batalha terminou, os moradores que haviam sobrevivido organizaram uma partida de futebol para comemorar.

Em 2 de maio de 1943, o Dínamo Stalingrad derrotou o Spartak por 1 a 0. Naquele momento, o Estado soviético promoveu a partida como um símbolo da resistência do povo. “Foi um jogo histórico”, comentou Andrei Bocharov, o governador local, em entrevista ao Estado por conta do sorteio dos grupos da Copa do Mundo. Somando mortos, capturados e todos os feridos, a batalha de Stalingrado teve 1,8 milhão de pessoas.

Hoje, segundo os representantes da cidade-sede da Copa do Mundo, de aproximadamente 1 milhão de habitantes, o futebol será jogado em “uma terra banhada de sangue” e que quer usar a competição para voltar a atrair a atenção internacional.

Assim que a construção do estádio de 45 mil lugares começou, em 2014, as obras tiveram de ser suspensas, para o desespero dos organizadores. Dois corpos foram encontrados nas escavações – eram vítimas da Grande Guerra. Logo depois, mais 20 minas terrestres ainda colocadas durante as batalhas tiveram de ser desativadas.

Só então o estádio começou a ganhar forma. Depois de realizar estudos, os engenheiros descobriram que o terreno onde a arena foi erguida havia sido um dos principais locais da sangrenta batalha, impedindo que os alemães cruzassem o rio Volga.

A Copa do Mundo em Volgogrado faz ainda parte de uma ampla campanha do governo de Vladimir Putin por resgatar o orgulho da população e tentar mostrar ao mundo que a Segunda Guerra Mundial foi, em grande parte, definida por causa do sacrifício do povo russo. A esperança das autoridades locais é que o Mundial de 2018 mostre uma nova imagem da cidade que, em 1961, deixou de ser chamada de Stalingrado. O culto à personalidade de Stalin também foi abandonada. “Só se sabe o que é patriotismo indo até Volgogrado”, diz o governador. “A cidade tem a marca da vitória”. O certo é que o local, 75 anos depois, voltou a ser arma de propaganda do Kremlin.

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