Kai Pfaffenbach/Reuters
Kai Pfaffenbach/Reuters

Segundo título da Copa consagra longa trajetória de Deschamps com a França

Treinador se iguala a Zagallo e Beckenbauer como os únicos a levantarem o título mundial como jogador e técnico

Gabriel Melloni, Estadão Conteúdo

15 Julho 2018 | 14h14

As duas conquistas da França em Copas do Mundo têm um personagem em comum: Didier Deschamps. Líder em 1998 dentro de campo, quando levantou o troféu em casa após o triunfo por 3 a 0 na final com o Brasil, o ex-volante levou este papel de comando para fora das quatro linhas e se consagrou definitivamente ao ser o técnico que levou o país ao título na Rússia, com a vitória por 4 a 2 sobre a Croácia, neste domingo.

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Deschamps marcou época nos anos 1990 como volante. Começou a carreira no Nantes, ainda na década de 1980, mas ganhou destaque mesmo com a camisa do Olympique de Marselha, com a qual conquistou a Liga dos Campeões na temporada 1992/1993. Ainda marcou época na Juventus, onde faturou o torneio também em 1995/1996, e vestiu as cores de Chelsea e Valencia antes de encerrar a carreira.

Pela seleção francesa, estreou ainda em 1989 e fez sua última partida em 2000. É um dos jogadores que mais vestiu as cores do país, com 103 jogos no currículo. Destes, sem dúvida o triunfo sobre o Brasil foi o mais especial, mas não faltaram grandes momentos com a camisa azul.

 

Se ficou marcado como o maior vencedor da história da seleção francesa, a trajetória de Deschamps pelo país quase ficou manchada. Afinal, ele estava em campo diante da Bulgária em 1993, nas Eliminatórias da Copa do Mundo dos Estados Unidos, quando uma derrota em casa por 2 a 1 selou a ausência do país no torneio do ano seguinte e é considerada até hoje um dos resultados mais traumáticos do futebol nacional.

Quatro anos mais tarde, porém, Deschamps daria a volta por cima e faria história. Foi ele o primeiro francês a levantar a taça da Copa do Mundo, após uma campanha surpreendente em casa. Mais dois anos, e novamente o volante foi responsável por erguer um troféu histórico, o segundo do país na Eurocopa. Na ocasião, a seleção bateu a Itália na decisão, na prorrogação, e ficou com o título do torneio disputado na Holanda e na Bélgica.

Logo após a Eurocopa, Deschamps deixou a seleção como jogador que mais vezes vestiu as cores do país - depois, seria ultrapassado Lilian Thuram, atual detentor do recorde, e outros.

Em 2001, foi a vez de o volante abandonar a carreira de jogador profissional e, imediatamente, se tornar técnico. Começou no Monaco, com quem chegou à decisão da Liga dos Campeões em 2003/2004, e passou por Juventus e Olympique de Marselha antes de assumir a França, em 2012.

E mesmo sem um histórico dos mais vitoriosos no cargo, Deschamps mostrou mais uma vez a força de sua ligação com a seleção. Depois de cair nas quartas de final da Copa de 2014, no Brasil, para a futura campeã Alemanha, o treinador levou a França à decisão da Eurocopa de 2016, em casa. Franco favorito diante de Portugal, o time foi surpreendido na prorrogação e amargou o vice.

A imprensa local pressionou e parte da torcida pediu a saída de Deschamps, insatisfeita com o excesso de pragmatismo de sua seleção. Mas foi exatamente com este mesmo estilo, dois anos mais tarde, que o treinador liderou mais uma vez o país a um título mundial.

O futuro de Deschamps na seleção é incerto, mas não há dúvidas de sua importância para a história da equipe. Das seis finais alcançadas pela França em competições importantes - Copa do Mundo e Eurocopa -, ele esteve presente em quatro, sendo campeão do mundo em 1998 e 2018, da Eurocopa, em 2000, e vice continental em 2016.

De quebra, Deschamps se iguala a Zagallo e Beckenbauer como os únicos a levantarem o título mundial como jogador e técnico. O brasileiro venceu em 1958 e 1962 como meia da seleção e em 1970 como treinador. Já o alemão triunfou em 1974 como zagueiro e em 1990 comandando a equipe do banco de reservas.

 

 

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