Segurança do Palmeiras é acusado de esfaquear 2 torcedores

Funcionário teria cometido a agressão após ser intimidado por um grupo de integrantes da Mancha Alviverde

Ricardo Valota, do estadao.com.br,

13 de março de 2008 | 04h38

Dois torcedores do Palmeiras foram esfaqueados quando saíam do Palestra Itália, na Zona Oeste, no começo da madrugada desta quarta-feira, após a vitória do time alviverde por 2 a 1 sobre a Ponte Preta, pelo Campeonato Paulista. Um segurança terceirizado, de 41 anos, suspeito de ser o agressor, foi levado à delegacia, mas a faca usada no crime não foi encontrada. Veja também: Ouça os gols da virada do Palmeiras Palmeiras vence a Ponte Preta e entra no G-4 do Paulistão Kléber comemora gol e o acesso do Palmeiras ao G-4 A agressão teria tido origem em um desentendimento com membros da Mancha Alviverde horas antes. O presidente Jânio Carvalho diz que o suposto agressor - que trabalha no apoio da segurança entre os setores azul e amarelo - vinha criando problemas com torcedores desde o final do ano passado. No jogo desta quarta-feira, Carvalho afirma ter sido impedido de voltar para a área em que fica a torcida organizada, após passar com policiais para o setor ao lado. "Cinco minutos depois, na hora de voltar, ele disse que eu não podia passar e começou a falar. Como foi o terceiro jogo seguido que ele tratou mal torcedores, fui, depois da partida, conversar com o chefe da segurança do Palmeiras, que disse que conversaria com ele. Mas logo depois, os dois torcedores foram esfaqueados." Uma das vítimas, o estudante Lucas Alves, de 18 anos, conta que passava pela calçada da Rua Padre Antônio Tomás quando, em frente ao estacionamento, viu o segurança saindo em um carro, com outras duas pessoas, e mostrou a um amigo, Noel Barros, de 18 anos. "Falei que era o segurança que estava discutindo com o presidente da Mancha Alviverde e ele saiu do carro com a faca e veio para cima do Noel." Alves diz que, ao ver o amigo ferido, empurrou o segurança para dentro do estacionamento, para separá-los. "Ele falou que ia cortar minha cabeça. Coloquei o braço na frente, para me defender, e também fui agredido. Aí outros torcedores viram e vieram para cima dele, que depois correu para dentro do clube." Testemunhas afirmam que pelo menos sete palmeirenses, armados com pedaços de madeira, agrediram o segurança. O suposto agressor foi localizado três horas depois e levado ao 23.º Distrito Policial (Perdizes), onde prestou depoimento, em que disse não ter esfaqueado ninguém e confirmou ter sido agredido por torcedores palmeirenses. Feridos, os dois torcedores, que usavam agasalhos da Mancha, foram levados por uma ambulância do clube à Santa Casa de Misericórdia. Lucas Alves foi liberado após ser atendido e levar dois pontos no dedo anelar e oito no braço esquerdos. Noel Barros, atingido na perna, continua internado, pois passaria por cirurgia. O advogado das vítimas, Roberto Cyrillo, disse que acionará a promotoria para pedir que o caso seja tratado como tentativa de homicídio, e não como lesão corporal. Além disso, entrará com processo por perdas e danos morais e materiais contra o clube. "Queremos saber da onde o segurança tirou essa faca, quem deu, quem deixou ele entrar", enfatiza o presidente da Mancha Alviverde. Atualizado às 9h50 para acréscimo de informação

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