Segurança não evita ´bicos´ em Cali

Certos personagens do meio futebolístico parecem já estar globalizados. E não é apenas no Brasil que eles (e elas) rompem sistemas de segurança, causam problemas e constrangimento para jogadores, técnicos e dirigentes. Esse fenômeno pode ser constatado também nos treinamentos da seleção brasileira em Cali. Enquanto oficiais do grupo de inteligência da polícia colombiana elaboraram esquemas sofisticados de segurança para isolar a delegação do assédio da torcida, homens engravatados, crianças e as famosas mulheres e meninas vestidas de maneira provocante invadem o CT do América de Cali sem qualquer dificuldade. Ou seja, os famosos "bicos".Na maioria dos casos, são pessoas que possuem algum vínculo com dirigentes do clube, seja ele de família ou amizade, ou então são apenas conhecidos dos funcionários do CT. Com ´jeitinho´, invadem o local durante os treinamentos da seleção e aproveitam para pegar autógrafos e tirar fotos com os jogadores e integrantes da comissão técnica. Isso ocorre também após as partidas, ainda dentro do estádio, na área onde os ônibus aguardam para levar a delegação. Os alvos prediletos são os atacantes Denílson e Jardel, os meias Juninho Paulista e Juninho Pernambucano, os goleiros Marcos e Dida e o técnico Luiz Felipe Scolari.O assédio chegou ao ponto de os torcedores, em algumas oportunidades, travarem verdadeiros duelos com os jornalistas para ter a atenção dos atletas. As entrevistas são freqüentemente interrompidas por pedidos de fotos ou por simples desejos de trocar algumas palavras com os ídolos.Já os oficiais colombianos responsáveis pela segurança do local parecem não se importar muito. Nem a tradicional vistoria é feita nessas pessoas. "É que já são conhecidos de alguém", afirmou um dos oficiais que, ao perceber a razão da pergunta, pediu para que seu nome não fosse divulgado.E o fato de a seleção brasileira que está disputando a Copa América não contar com nenhuma grande estrela internacional no elenco, não é empecilho para os ´invasores´. Basta alguém estar vestindo a camisa tradicional de treinamento para que se transforme em alvo certo de fotos e autógrafos. "Quem é este?" é a pergunta que mais se ouve dos presentes. Claro, depois de já estar com o autógrafo devidamente assinado numa camiseta ou folha de papel.Chuteira - Mas, sem dúvida alguma, a figura que mais chama a atenção fora de campo durante os treinos são as famosas "Marias Chuteiras". Com um estilo próprio e universal, elas tentam se aproximar dos famosos usando roupas que realcem suas formas, quase sempre moldadas com cuidado, seja numa boa academia de ginástica ou uma eficiente cirurgia plástica.Elas não escondem que estão ali atrás de notoriedade. Para muitas, é uma chance de conseguir aparecer, mesmo que rapidamente, numa foto de jornal. Já outras, como Blanca Hernandes, garantem que só estão ali para ver de perto os jogadores brasileiros. No entanto, quando perguntada se seu modelo, baseado numa calça jeans cheia de rasgos estrategicamente localizados, e um top pequeno estava de acordo com o contexto do lugar, ela foi, ao menos, sincera. " Se venho de outra forma ninguém me nota."

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