Segurança será reforçada em Belo Horizonte

Considerado de alto risco, Brasil x Chile, na capital mineira, terá 13 mil PMs; Forças Armadas estão a postos

Vítor Marques, Sílvio Barsetti - enviados especiais a Belo Horizonte, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 05h00

Brasil x Chile pode ser considerado como primeiro jogo de risco desta Copa do Mundo. Há vários fatores que obrigaram Fifa e governo a acender o sinal vermelho para a partida e reforçar o esquema de segurança.

Em primeiro lugar: o jogo, em sistema "mata-mata", coloca lado a lado dois rivais sul-americanos. Embora a maioria dos torcedores que devem ir ao Mineirão hoje seja formada por brasileiros, haverá bom número de chilenos. Estima-se que ao menos 10 mil chilenos tenham comprado ingressos para o confronto. Mas outros 10 mil (sem ingressos) eram aguardados na cidade, segundo dados divulgados pelo Governo Estadual.

O grupo dos sem-ingresso preocupa as autoridades por conta do que aconteceu no Maracanã, quando um grupo de chilenos conseguiu invadir o estádio. Para o Governo do Estado, são "situações diferentes": o acesso dos torcedores sem tíquetes é mais difícil no Mineirão do que no Maracanã.

É até mais fácil encontrar chilenos pelas ruas de Belo Horizonte que não têm ingresso do que conversar com quem já comprou. Há torcedores acampados em locais designados pela prefeitura e até em locais mais afastados, perto da Toca da Raposa II, local onde a seleção chilena se concentra.

O número de policiais militares envolvidos em toda a operação deve chegar a 13 mil homens, número semelhante aos dos outros jogos que o Mineirão já recebeu. Mas a fiscalização será mais rigorosa. A prioridade é evitar que os sem-ingresso entrem no perímetro de segurança da Fifa, a cerca de dois quilômetros de distância do estádio. Outra frente de ação é coibir a atuação de cambistas.

Nos últimos dias o policiamento foi reforçado no centro de treinamento, até por um pedido da federação chilena de futebol - Sampaoli queria o mínimo de barulho na porta do CT. Ontem pela manhã, policiais militares fecharam duas ruas que dão acesso ao local. Para o "Batalhão Copa" da PM, é melhor pecar pelo excesso.

Verde-amarelo. Na seleção brasileira, desde as 7 horas de ontem, dezenas de torcedores se aglomeravam na porta do hotel onde está hospedado o time de Felipão. A maioria, crianças e adolescentes, vestia a camisa do Brasil. Alguns tinham o álbum de figurinhas da Copa, outros levavam bandeirinhas verdes e amarelas. A segurança não permitia que entrassem no pátio do hotel. Pouco depois, a concentração de torcedores aumentou e o efetivo da PM também foi reforçado para que o tráfego em frente ao hotel não ficasse congestionado.

Há ainda um receio de que o clima nas arquibancadas seja de tensão, como tem acontecido nos jogos da Copa envolvendo a Argentina. Discussões e provocações tornam intenso o trabalho dos seguranças da Fifa.

Apesar de ter descartado a separação de torcida, mesmo com clima de Libertadores no estádio, 1,5 mil soldados das forças armadas estariam de prontidão caso o Exército precise dar apoio ao esquema de segurança.

O jogo terá mais seguranças da Fifa que o normal e contará com a presença de Policiais Militares dentro do estádio caso seja necessário. Isso já ocorreu, por exemplo, no jogo entre Inglaterra e Costa Rica.

Cogitou-se a proibição de bebidas alcoólicas no estádio, o que iria contra um dos principais patrocinadores da competição. Mas esse assunto, por ora, foi descartado.

Pelas ruas. A Polícia Militar também reforçou o policiamento na Praça da Savassi, ponto de encontro da cidade durante a Copa. São esperadas cerca de 20 mil pessoas para acompanhar, pelo telão, o confronto entre Brasil e Chile. Para evitar tumulto, a prefeitura decidiu levar shows e telões para alguns parques da cidade. Até agora, só houve confusão na véspera do jogo entre Argentina e Irã, no bairro da Savassi.

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