Bruno Domingos/Mowa Press<br>
Bruno Domingos/Mowa Press<br>

Seleção brasileira aposta na volta dos 'guerreiros'

Jogadores afirmam que já entenderam o espírito que Dunga quer para o Brasil durante as Eliminatórias da Copa

GONÇALO JUNIOR, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2014 | 06h19

Os dois primeiros amistosos da nova passagem de Dunga pela seleção ditam o caminho que o time vai seguir de agora em diante, resumido nas declarações do goleiro Jefferson e do lateral Filipe Luís após a vitória sobre o Equador. "Já estamos entendendo a filosofia do Dunga, de guerra, de batalha, de superação, e de colocar a bola no chão e jogar", afirmou Jefferson. "Para a gente não tem amistoso. Cada jogo é uma batalha", completou Filipe Luís.

No próximo jogo, dia 11 de outubro, contra a Argentina, pelo Superclássico das Américas, partida que será disputada na China, a equipe deverá ser praticamente a mesma dos jogos nos EUA. "Vamos continuar o trabalho de observação dando oportunidade, dando sequência. O jogador precisa jogar mais vezes para criar um vínculo", disse Dunga.

A equipe vai marcar bastante, correr até não poder mais, depender da individualidade de Neymar, apostar na movimentação de Tardelli e investir nos frutos dos treinamentos, como as jogadas ensaiadas. Treinar foi uma das principais virtudes do recomeço de Dunga. Os jogadores executaram à risca o que havia sido ensaiado nos dois jogos e o time venceu o Equador em uma jogada de repetição. "Temos de tentar aproveitar esse tipo de lance. Temos de surpreender os adversários. E nós temos pedido para os nossos jogadores não desistirem dos lances."

Mais que uma tendência, esse é o jeito de ser de Dunga, que prepara o espírito da equipe para a Copa América e as Eliminatórias. Ou seja, não só contra a Argentina, mas também contra o Japão, dia 14 de outubro, em Singapura, virão mais guerras por aí. "Não coloco como amistosos. São jogos preparatórios para as Eliminatórias. As Eliminatórias serão muito duras. Temos de nos preparar da melhor maneira. É importante testar jogadores para elevar a confiança e a autoestima e trazer o torcedor para o nosso lado. Eles precisam ter a certeza de que estamos dando o melhor."

Todas as entrevistas de Dunga são assim, pragmáticas, objetivas e pontuais. Ele ainda não abriu espaços para a inovação, para ideias diferentes, os riscos, tentativas e erros que são próprios de um processo de renovação. O máximo que fez foi abolir a figura do camisa 9 fixo na área – Diego Tardelli foi bem na nova função de movimentação – , mas o técnico Mano Menezes já havia iniciado esse movimento no segundo semestre de 2012 e foi interrompido por Felipão.

O caminho que a seleção encontrou para superar o fracasso do Mundial foi um retorno às origens do velho Dunga. Não se trata apenas de um resgate do que ele fez em sua primeira passagem pela seleção, mas caiu na Copa de 2010. Sãos ecos do receituário que ele adotou como jogador. "Quando o coletivo é forte, a individualidade aparece."

O discurso pragmático ganhou respaldo da CBF, ou seja, o importante é vencer. "Gostei do início, foram duas boas vitórias, encontramos dificuldades naturais, é uma prévia do que vamos encontrar pela frente nas Eliminatórias", disse o presidente José Maria Marin.

E os jogadores, como não poderia deixar de ser, assinaram embaixo. Principalmente os novatos no time, como Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Gil, que devem ser chamados nas próximas convocações. "Jogar na seleção foi um sonho realizado. Espero manter a regularidade no Cruzeiro. O Dunga conhece meu futebol e quero estar mais vezes aqui", disse Goulart, com o discurso de quem está preparado para ser um novo soldado.

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