Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Seleção brasileira blinda Neymar para proteger astro das críticas

Individualismo e irritação em campo são alguns dos pontos em que o atacante está exagerando

Leandro Silveira, Marcio Dolzan, enviado especiais / São Petersburgo, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2018 | 05h00

Criticado pelo excesso de individualismo, que o torna alvo preferencial de faltas dos adversários, e frequentemente demonstrando irritação com o árbitro – o que lhe rendeu um cartão amarelo na partida diante da Costa Rica de graça –, Neymar passou a contar com uma blindagem vinda de colegas da seleção brasileira e do próprio técnico Tite. Após a partida de sexta-feira, pela segunda rodada do Grupo E da Copa do Mundo, todos os jogadores do time que deram entrevistas fizeram questão de defender o atacante, que desabou a chorar no gramado após a vitória sobre os costa-riquenhos.

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O discurso mais incisivo veio do zagueiro Thiago Silva. Em 2014, o defensor protagonizou uma das cenas mais marcantes – para muitos, negativamente – ao chorar momentos antes da disputa por pênaltis com o Chile, em partida válida pelas oitavas de final. Na ocasião, ele era o capitão da seleção, assim como foi na sexta-feira.

Colega de Neymar no Paris Saint-Germain, Thiago Silva diz ver “excesso” nas críticas ao jogador e defendeu o desabafo do companheiro. “Você sofre junto, como se ele fosse como um irmão seu. Tenho o Neymar como um irmão mais novo, procuro cuidar dele dando conselhos. É um menino especial”, afirmou o zagueiro. 

Autor de dois dos três gols marcados pelo Brasil até agora na Copa, o meia Philippe Coutinho também saiu em defesa do colega. “Ele teve uma lesão difícil. A alegria de contar com Neymar em campo nos contagia. Ficamos felizes por tê-lo ao nosso lado jogando”, disse Coutinho.

 

O atacante Gabriel Jesus foi além. Ele e Neymar fizeram dupla na Olimpíada do Rio. Chamou o craque de “ídolo” e pediu confiança nele. “Sou um menino e ele é um garoto alegre e contente. Temos de dar valor aos nossos ídolos, confiar e acreditar até o último minuto.”

O técnico Tite, por sua vez, repetiu o discurso de que é “desumano” colocar muita pressão em Neymar. Segundo o treinador, as responsabilidades precisam sempre ser divididas. “Toda a individualidade aparece se o conjunto estiver forte. É desumano colocar a responsabilidade em um atleta apenas”, ponderou o treinador.

Douglas Costa, que deu a assistência para o gol de Neymar, concorda com o técnico. “Neymar faz a diferença, é o nosso craque, mas dividimos isso. Não é fácil carregar todo o peso.”

 

 

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