Robert Ghement/EFE
Robert Ghement/EFE

Seleção brasileira busca saída contra o algoz mexicano

Nos últimos anos, o México tem levado boa vantagem em cima do Brasil, que tenta sair de uma velha armadilha

Mateus Silva Alves - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2013 | 08h07

FORTALEZA - É estranha a situação do México: o país não consegue entrar para o clube das principais potências do futebol mundial, mas ainda assim mete medo no sócio mais ilustre desse clube. Nos últimos anos, a seleção mexicana tem levado vantagem sobre o Brasil em amistosos e jogos oficiais, com ou sem restrição de idade. E alcançou essa façanha com uma estratégia simples: defesa bem fechada e contra-ataques muito velozes. Certamente o México tentará usar mais uma vez essa "fórmula do sucesso" quarta-feira, em Fortaleza.

 

No ano passado, Brasil e México se enfrentaram duas vezes, com duas vitórias do time da América do Norte. No primeiro confronto, um amistoso disputado em Dallas, nos Estados Unidos, os mexicanos marcaram o ataque brasileiro com eficiência e mostraram-se precisos nas poucas vezes que atacaram. Assim, venceram por 2 a 0.

 

Um dos pontos-chave para a vitória foi a marcação sobre Neymar, que se viu anulado. Ajudado por seus companheiros de defesa, o lateral-direito Meza fez um ótimo trabalho contra o ex-santista. Neymar ficou tão incomodado com a marcação que quase saiu no tapa com ele no segundo tempo.

 

Dois meses mais tarde, o México voltou a usar a "receita anti-Brasil" na final dos Jogos Olímpicos de Londres. E se deu bem de novo. Mesmo jogando com um time bastante diferente do que venceu os brasileiros em Dallas, o México mais uma vez se fechou muito bem e fez 2 a 1.

 

O lateral-esquerdo Marcelo, que participou dessas duas derrotas, concorda que a seleção brasileira não tem conseguido encontrar uma maneira de superar a forte marcação do México. "Às vezes, a gente tenta fazer nosso estilo de jogo e não dá certo. Se for assim, temos de encontrar outro estilo."

 

O jogador do Real Madrid, no entanto, não quer ouvir falar em freguesia. "O México tem grandes jogadores, mas aqui é a seleção brasileira. Vai ser difícil para os dois lados."

 

Não seria muito grande o problema se as duas derrotas de 2012 fossem as únicas. Mas não foram. Graças à tal combinação de defesa bem fechada e velocidade no ataque, os mexicanos têm criado problemas desde a década de 90. Na Copa das Confederações, foram três encontros, com duas vitórias do México (em 1999 e 2005) e uma dos brasileiros (em 1997). Além disso, houve tropeços do Brasil em jogos de Copa América e Copa Ouro (competição da Concacaf que a seleção disputou algumas vezes como convidada).

 

Após a derrota em Dallas, Mano Menezes, na época técnico da seleção, disse que seu time havia perdido porque não teve paciência para abrir buracos na defesa e abusou do individualismo (um recado claro para Neymar). Fica, então, a lição para Luiz Felipe Scolari: o México adora se fechar diante do Brasil. E o Brasil precisa aprender a escapar dessa armadilha.

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