Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Seleção brasileira com a obrigação de vencer

Pressionado a derrotar um grande rival, Mano Menezes sabe que o Brasil não pode vacilar diante da Argentina

Sílvio Barsetti - O Estado de S. Paulo,

28 de setembro de 2011 | 08h42

Conquistar o título do Superclássico das Américas no confronto de hoje com a Argentina, às 21h50, em Belém, não vai acrescentar muita coisa à história do futebol brasileiro. Há pelo menos um aspecto mais importante do que uma eventual volta olímpica da equipe no Mangueirão: Que a seleção brasileira enfim consiga uma vitória contra um adversário tradicional, o que ainda não ocorreu com Mano Menezes no comando, desde agosto de 2010.

Até agora, houve cinco jogos com seleções rivais desde a saída de Dunga e o retrospecto é muito ruim - três derrotas (para Argentina, França e Alemanha) e dois empates (com Holanda e de novo contra a Argentina, duas semanas atrás, em Córdoba, na primeira partida do Superclássico).

A utilização restrita de jogadores em atividade no País não diminui a pressão sobre Mano Menezes na noite de hoje, em que 42 mil pessoas devem lotar o Mangueirão. Embora a cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reitere que ele vai ser o técnico da equipe na Copa de 2014, a história do futebol prova que não existe remédio contra sequência de resultados ruins.

A vitória, portanto, valeria mais que o título. Mano sabe disso e seus jogadores também. Principalmente Neymar, o grande xodó do público paraense nos últimos dias. Reverenciado por milhares de torcedores nos três dias de permanência em Belém, Neymar parece mais solto e dinâmico, num indício de que pode ter hoje uma grande atuação.

Mano conta com Neymar para quebrar o jejum e também levou outro trunfo para Belém: Ronaldinho Gaúcho, convocado pela boa fase no Flamengo e para desviar o foco dos mais jovens, notadamente de Neymar, Lucas e Ganso, fora da equipe por causa de contusão. Esses jogadores que sintetizam a atual renovação do futebol brasileiro foram reprovados na Copa América, em julho, na Argentina, e continuam em dívida com a seleção.

Ronaldinho foi quem realmente chamou mais a atenção do público nos últimos jogos da seleção. Teve até boas atuações. Mas, no Pará, acabou ofuscado pelo fã clube de Neymar. Mano já disse que conta com o craque do Flamengo como referência para 2014. O torcedor brasileiro, no entanto, apostaria mais em Neymar. Foi o que se viu em Belém com manifestações entusiasmadas de crianças e adolescentes a favor do santista.

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