Seleção brasileira começa caminhada rumo à Copa 2010

Time dirigido por Dunga estréia neste domingo contra a Colômbia nas Eliminatórias sul-americanas

Sílvio Barsetti, Estadão

13 de outubro de 2007 | 21h16

O futebol brasileiro inicia neste domingo uma nova etapa. É a promessa do técnico Dunga na estréia da seleção nas Eliminatórias do Mundial de 2010, em confronto com a Colômbia, em Bogotá, às 19 horas (horário de Brasília). "Nossos jogadores gostam de desafios. E cada partida das Eliminatórias será tratada como tal." O então cabeça-de-área e capitão do time do tetracampeonato em 1994 substituiu Carlos Alberto Parreira ano passado sob o olhar desconfiado dos admiradores do futebol-arte. Conquistou recentemente a Copa América com uma vitória expressiva sobre a Argentina e parece mais à vontade no comando de uma equipe capaz de despertar o interesse do torcedor graças à presença de três craques: Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Kaká. Eles estão em paz com a torcida após um período de desapontamento que se seguiu ao fracasso do Brasil na Copa de 2006. "Começar com uma vitória fora de casa pode significar uma folga mais à frente, na reta final das Eliminatórias", disse Ronaldinho Gaúcho, cujo rendimento na seleção melhorou muito nos últimos amistosos e treinos. O craque do Barcelona espera um jogo aberto, com os times em busca da vitória o tempo todo. Dunga treinou durante a semana, em Teresópolis, situações repetitivas, em que os atletas, num espaço reduzido de campo, tinham de tocar a bola com rapidez, exercer forte pressão sobre o adversário ou se livrar com agilidade da marcação. "É preciso valorizar a qualidade técnica e a posse de bola e não dar muitos espaços para a Colômbia, evitando os contra-ataques."ColômbiaAgustín Julio; Zúñiga, Mosquera, Moreno (Zapata) e Vélez; Carlos Sanchez, Amaya, Castrillon e Grisalles (David Ferreira); Falcão e RenteríaTécnico: Jorge Luis PintoBrasilJúlio César; Maicon, Juan, Lúcio e Gilberto; Mineiro, Gilberto Silva, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Robinho e Vágner LoveTécnico: DungaÁrbitro: Carlos Amarilla (Paraguai)Estádio: El CampínHorário: 19 horasRádio: Eldorado/ESPN - AM 700TV: Globo, SporTV e Bandsports Mais do que um estilo de trabalho peculiar, contrário ao anúncio dos 11 titulares com antecedência, Dunga quer criar na seleção um grupo ciente "da grande responsabilidade" que representa vestir a camisa do Brasil. Em sintonia com a direção da CBF, ele sempre critica o "relaxamento" da equipe na fase de preparação para a Copa da Alemanha. "Quando tudo está muito tranqüilo, é até normal que o ambiente fique assim (relaxado). Mas quando as dificuldades aumentam, aí o grupo se fortalece e o jogador brasileiro consegue dar algo a mais." A tradução de todo o discurso de Dunga nos últimos dias pode ser resumido dessa forma: ele gosta de manter a corda bem esticada, e não admite que o foco - palavra usual hoje no glossário do futebol - seja desviado. Para vencer a Colômbia e conquistar a simpatia da platéia que vai lotar o Maracanã na quarta-feira, em jogo contra o Equador, o treinador vai poder contar em Bogotá com a força da dupla de zaga, formada por Lúcio e Juan. Os laterais Maicon e Gilberto e os volantes Mineiro e Gilberto Silva ainda são motivos de algumas indagações públicas. Nos dois primeiros casos, permanece a dúvida sobre os substitutos ideais de Cafu e Roberto Carlos, que apesar da campanha irregular em 2006 contribuíram muito com a seleção em pouco mais de uma década. Já Mineiro e Gilberto Silva precisam ousar mais e deixar de imitar ex-volante da seleção, obcecados em tirar a bola dos adversários e trocar passes curtos, como se dar um drible fosse um desvio de conduta, ou de foco.

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