Seleção brasileira de 70 derrotaria a de 2006, diz Pelé

Um confronto entre a seleção brasileira campeã do mundo em 1970 e a seleção de 2006 seria "um jogo difícil", mas a equipe comandada por Pelé venceria a disputa. A opinião é do próprio Pelé, que em entrevista ao jornal britânico The Times desta quinta-feira afirmou: "Nossos atacantes eram mais organizados do que eles. Tínhamos um ataque melhor: Pelé, Tostão, Rivellino, Gérson. Acho que éramos mais organizados. Se Ronaldo estivesse em forma, ele poderia ter entrado no nosso time. Ronaldinho e Kaká também. Emerson talvez". Pelé não fez nenhuma referência a Adriano, que completa o ?quarteto mágico? de Parreira.Pelé comentou que ao contrário do que a maioria acredita, a seleção de 70 não era uma equipe totalmente voltada para o ataque. "Todos pensavam que jogávamos ofensivamente, mas não, nós jogávamos de forma defensiva. Quando perdíamos a bola, apenas Jairzinho ficava na frente. As pessoas não se dão conta disso porque marcávamos muitos gols, mas nós estávamos jogando futebol moderno".A entrevista com Pelé conclui a série de quatro reportagens sobre futebol brasileiro que o jornal publicou ao longo desta semana, com textos sobre Sócrates, Romário e Rivellino.Defesa forte Na opinião de Pelé, o ponto forte da atual equipe brasileira é justamente o setor defensivo. "Nós sempre sobrevivemos porque somos muito fortes do meio de campo para a frente. Mas desta vez, comparativamente, temos uma boa defesa."Quando pedem para que escale a seleção brasileira ideal, com jogadores de diferentes gerações, Pelé argumenta que a principal deficiência brasileira sempre foi a defesa, em contraste com o ataque."É quase impossível fazer escolhas do meio de campo em diante, porque há muitos bons jogadores." Se no ataque há fartura de opções, na opinião de Pelé há escassez de nomes para a zaga - a não ser na lateral, em que ele escala seu companheiro de 1970, Carlos Alberto, no lado direito, e Roberto Carlos, titular das equipes de 2002 e 2006, pelo lado esquerdo.No entanto, para Pelé a zaga central seria uma das lacunas de uma seleção de todos os tempos. "Mauro, nosso capitão em 1962, era fantástico. Mas depois dele, foi difícil encontrar outro." De acordo com o jornal, Pelé acredita que "o quarteto mágico" não é o formado por Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Kaká e Adriano, mas sim por Cafu, Roberto Carlos, Lúcio e Juan. Segundo o Times, o ex-jogador disse que o Brasil não deverá jogar de forma muito ofensiva, devido ao talento de seus atacantes. "Carlos Alberto Parreira é muito conservador. Ele não irá jogar de forma aberta", afirma.

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