Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Seleção brasileira desembarca na Rússia para colocar evolução à prova

Após quase dois anos de trabalho de Tite, equipe chega à Rússia com Neymar recuperado e confiante em um bom resultado

Almir Leite, enviado especial a Viena, O Estado de S.Paulo

11 Junho 2018 | 07h00

Foram quase dois anos de trabalho, mudanças de métodos, alternativas táticas, troca de alguns jogadores, reta final de preparação longa para os padrões atuais... Tudo o que Tite e sua comissão técnica tinham de fazer para deixar a seleção pronta para a Copa foi feito. A partir desta segunda-feira, porém, a avassaladora reação nas Eliminatórias e os resultados em amistosos serão colocados à prova.

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A estreia é no próximo domingo, mas o Mundial da Rússia começa de fato para o Brasil nesta segunda, no primeiro dia em Sochi. A seleção entra para valer no clima da disputa com ansiedade, mas de moral elevado. Chegou à Rússia como favorita. O bom desempenho no último teste antes do jogo do dia 17 contra a Suíça, a vitória por 3 a 0 sobre a Áustria em Viena, neste domingo, confirmou a expectativa: a seleção tem no quarteto formado por Neymar, Willian, Philippe Coutinho e Gabriel Jesus um poderoso antídoto contra todos os adversários, sobretudo o que jogam mais fechados.

Além de correr mais do que se esperava, Neymar assumiu um protagonismo durante e depois dos amistosos. “Tem de confiar, sonhar, não tem de segurar a onda não. Tem de falar que é brasileiro, ter orgulho. Tem de sonhar mesmo. Sonhar não é proibido, os 23 convocados e a comissão são quem mais estão sonhando com o título, confiantes no futebol e em busca da conquista”, afirmou Neymar, liberando a empolgação.

A rigor, os quatro jogadores mais ofensivos do Brasil ainda não atuaram uma única partida inteira juntos. Nas quatro vezes em que se reuniram, somam 126 minutos. Pouco, mas suficiente para deixar claro que podem fazer muito pela equipe.

Essa, a rigor, foi uma solução encontrada por Tite em cima da hora. Na maior parte dos 21 jogos em que comandou a seleção, em trajetória que teve início em 1.º de setembro de 2016 num 3 a 0 sobre o Equador, pelas Eliminatórias, preferiu ter Renato Augusto no time, fortalecendo o meio, e Coutinho ou Willian. Mas na nova configuração, o Brasil flui melhor.

Ressalte-se que Tite se mantém fiel ao 4-1-4-1, em que Casemiro é o grande engenheiro da marcação e Paulinho, preferencialmente, faz o trabalho de área em área. Mas o esquema é flexível, variando para 4-2-3-1 e até para 4-3-3 de acordo com as circunstâncias da disputa.

 

É assim que Tite, técnico que vai para a sua primeira Copa do Mundo, portanto, sem experiência, acredita ser possível levar o Brasil ao ambicionado hexa, e sem mudanças de filosofia em função de rival, apesar do plano B, com Fernandinho para ajudar na marcação, que pode usar contra os mais fortes. “Temos uma forma de jogar. Não mudamos nosso jeito se formos jogar contra a Alemanha. Tentamos repetir o padrão.”

O técnico confia na capacidade de a equipe transformar jogo difícil em fácil, como fez em Viena. A partida contra os austríacos, que se defendem com linha de cinco e às vezes coloca mais quatro em uma segunda linha defensiva, poderia ter sido complicada. Mas o Brasil, impulsionado pelo quarteto, soube ter paciência, valorizar a posse de bola e pressionar o oponente até chegar aos gols.

Embora notadamente ofensiva, Tite leva à Copa uma equipe que tem na força defensiva um trunfo. E em sua organização. Foram apenas cinco gols sofridos nos 21 jogos de sua trajetória. O treinador não abre mão dos cuidados na retaguarda, embora renda os maiores méritos ao auxiliar Cléber Xavier. Mas é dele as decisões como formar uma dupla de zaga experiente, com dois jogadores de 33 anos, Thiago Silva e Miranda, até para compensar a ausência de Daniel Alves, que até se contundir era o mais rodado da seleção.

Tite ganha os jogadores dentro de campo com seus métodos, sua proposta de jogo intensivo, seu desafio constante aos atletas. Mas é inegável que também os conquistou por seu comportamento fora dele. O fato de ser franco, de pensar em detalhes como reunir suas famílias em períodos longos como o da Copa, enfim, de se mostrar confiável e humano, faz com que os atletas se sintam à vontade e com disposição de ajudar.

Para o treinador, esse também é um ingrediente importante para unir o grupo e formar uma turma de amigos. “Sentimos orgulho de saber que ajudamos a equipe brasileira de alguma forma”, disse.

Tudo isso vai ter sua eficiência colocada à prova a partir de agora. Os testes acabaram. Vem aí a Copa. O caminho prevê sete jogos até o título – três na fase de grupos. E se durante o percurso houver tropeço, o bom currículo de Tite até agora – 17 vitórias, 3 empates e 1 derrota – pode não valer de nada.

 

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