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Seleção brasileira divide atenção com a Série C em Natal

ABC tem confronto decisivo com o Botafogo-SP para garantir acesso à Série B do Brasileiro

Ciro Campos, enviado especial a Natal, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2016 | 07h01

A seleção brasileira tem um concorrente considerável na agenda das atrações em Natal nesta semana. O compromisso pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia contra a Bolívia, na quinta, divide a atenção com o jogo de sexta-feira do ABC. O clube potiguar dono de 53 títulos estaduais recebe no Frasqueirão o Botafogo-SP e precisa de uma vitória simples para garantir o acesso à Série B do Brasileiro.

A equipe local garante que nos próximos dias, nem mesmo a presença de Neymar, Tite e demais estrelas será capaz de amenizar a expectativa pela decisão na Série C. "A seleção pode ter o glamour e os ídolos, mas não o coração", garantiu o técnico do ABC, o experiente Geninho, de 68 anos. "Aqui em Natal tem uma rivalidade muito grande, tanto que o povo comemorou a queda do América-RN para a Série D como se fosse título, teve até carreata", disse o treinador.

O confronto das quartas de final entre Botafogo e ABC começou na última sexta, com empate sem gols em Ribeirão Preto. Por isso, o otimismo é grande para garantir o retorno à Série B depois da queda no último ano. O time potiguar está invicto em casa pela competição e disputa a passagem à semifinal no único dia da passagem por Natal em que a seleção brasileira terá folga.

Mesmo com o jejum de 34 anos sem jogos da seleção em Natal e a venda de todos os ingressos, a tendência é não ter um público 100% local na Arena das Dunas. "O jogo da seleção também deve ter a presença de muitos turistas, já que o Rio Grande do Norte recebe muita gente para visitar o seu litoral", explicou o chefe da delegação da seleção brasileira, José Vanildo, que também preside a Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF).

A presença da equipe de Tite pouco alterou a programação do ABC. Apesar da semana decisiva, o time mantém a rotina de treinos no estádio Frasqueirão, por recusar a Arena das Dunas. "Temos a nossa casa. O custos de jogar na arena são grandes, fora pagar aluguel e taxas. Nosso campo parece o da Vila Belmiro. A torcida dá um calor, ajuda muito", contou Geninho. Em nove jogos pela competição em casa, o público tem aumentado. No último jogo, por exemplo, o comparecimento foi cerca de oito vezes maior que o da estreia.

O presidente do ABC, Judas Tadeu Gurgel, contou que na última semana a torcida esgotou o estoque de camisas nas lojas do clube e cerca de 5 mil ingressos já foram vendidos para o jogo de sexta. "O time vem de quatro anos sem conquistas, então há uma carência. Resgatamos a autoestima do torcedor. O jogo da seleção cativa também o nosso jogo, mas o nosso ingresso é mais popular", disse. O bilhete para o jogo da seleção custou entre R$ 150 e R$ 400, enquanto o do ABC varia de R$ 40 a R$ 80.

"Passei por muitos clubes na carreira, mas a rivalidade em Natal me surpreendeu. Não sabia que seria tão latente. Eu não me incomodo com isso, faço o meu trabalho profissional. Só que ninguém no ABC pode entrar com roupa vermelha", brincou Geninho sobre a cor do rival. O técnico é praticamente um especialista em acessos no Brasileiro, ao ter levado à elite times como Paraná, Sport, Avaí.

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