Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Seleção brasileira enfrenta sua prova de fogo no Mineirão

Brasil encara o Uruguai em busca de uma vaga na final no Maracanã

ALMIR LEITE - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

26 de junho de 2013 | 07h55

BELO HORIZONTE - A seleção brasileira poderá ter noção mais exata do estágio em que se encontra desde que voltou às mãos de Luiz Felipe Scolari, em fevereiro. Embalada por três vitórias seguidas na primeira fase, encara o sempre perigoso Uruguai às 16 horas, no Mineirão, por um lugar na decisão da Copa das Confederações.

 

É a chance de se habilitar a uma tão sonhada final com a Espanha – desde que os campeões do mundo superem a Itália na quinta-feira – e também de aferir se a equipe já adquiriu o nível técnico e tático e o equilíbrio emocional necessários para jogar partidas decisivas. É vencer e ir à final ou perder e ter de se contentar com a disputa do terceiro lugar. Em caso de empate no tempo normal, haverá prorrogação e, se for preciso, disputa por pênaltis para definir o finalista.

 

Paulinho, recuperado de contusão no tornozelo esquerdo, volta após ser poupado contra a Itália. Assim Felipão escala mais uma vez o time considerado ideal por ele. Time que, diz, está lhe dando retorno até maior do que esperava após apenas cinco partidas – antes da Copa das Confederações, empatou (2 a 2) com a Inglaterra e fez 3 a 0 na França, em amistosos – e ainda está em formação.

 

"Avançamos alguns passos, em ter uma equipe quase formada e uma tática de jogo praticamente definida", avaliou. Ou seja, mesmo em caso de um tropeço esta tarde, ele não vai mudar os rumos da seleção. Não radicalmente.

 

Um tropeço, no entanto, não passa pela cabeça do treinador, que até se espantou ontem quando um jornalista uruguaio mais uma vez repetiu a ladainha do "Maracanazo" de 1950, questionando se o ocorrido 53 anos atrás não poderia causar alguma influência sobre os jogadores brasileiros. "Não há lado psicológico que influencie por causa disso", rebateu.

 

Mas o entrosamento de uma seleção que está se mantendo praticamente a mesma desde antes da Copa de 2010 – o Uruguai ficou em quarto – e é composta por jogadores velozes, técnicos e ousados pode fazer diferença. Por isso, no treino no Mineirão, Felipão aproveitou para aprimorar a forma como quer o time esta tarde.

 

Sem espaço. Ele treinou em espaço reduzido, com clara intenção de deixar a equipe mais compactada, marcando forte a saída de bola do adversário e também a partir do meio de campo defensivo – entende que os armadores e o trio ofensivo uruguaio, formado por Cavani, Forlán e Luiz Suárez não pode ter espaço. "São atacantes que num piscar de olhos decidem um jogo", alertou o goleiro Julio Cesar.

 

Felipão também pediu aos jogadores do time reserva que ficassem em cima dos zagueiros titulares. A intenção é que Thiago Silva, David Luiz e os laterais tenham tranquilidade e saibam o que fazer quando forem pressionados hoje.

 

E para Felipão, Fred é considerado peça fundamental, fazendo o pivô ou concluindo as jogadas. "Vai ser o jogo mais difícil até aqui por causa da rivalidade que se criou", diz o atacante. "O clima é de decisão."

 

Do lado dos uruguaios não falta provocação. "Não quero falar demais, mas o Brasil não enfrentou uma equipe com um ataque que tem o Uruguai. O Brasil é uma equipe que pressiona no ataque, e recupera a bola rápido, mas o Barcelona do Guardiola também fazia isso, mas sem cometer tantas faltas," disse o técnico Oscar Tabárez. E alfinetou: "50 (Copa que o Uruguai conquistou no Brasil) é incomparável, temos aquele time num altar, mas é melhor deixá-los de lado neste momento."

 

A seleção volta ao estádio em que foi vaiada pela última vez – amistoso contra o Chile, em 24 de abril (2 a 2). Agora a situação é outra. A torcida está com o time. "Tenho certeza de que a torcida mineira fará a diferença, como as de outros Estados fizeram", disse Felipão.

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