Divulgação/Nike
Divulgação/Nike

Seleção brasileira feminina lança novo uniforme e retira as cinco estrelas do escudo

Camisa deixa de ter as referências às conquistas do time masculino e terá a estreia em amistoso nesta sexta

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2020 | 13h21

A seleção brasileira feminina de futebol vai estrear nesta sexta-feira o novo uniforme e com um detalhe em especial. A camisa a ser utilizada no amistoso contra o Equador, às 21h30, na Neo Química Arena, não vai mais trazer as cinco estrelas alusivas às Copas conquistadas pela equipe masculina. O escudo virá na camisa sem nenhuma dessas referências.

A proposta da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a fabricante do uniforme, a Nike, é conseguir inspirar mais atletas a se dedicarem à seleção feminina e fazer com que futuras camisas tenham as estrelas. "Remover as estrelas da camisa é uma mensagem impactante e forte por si só, por isso, nosso foco será explorar o papel da seleção na imaginação de todas que sonham em vestir a amarelinha. O time feminino do Brasil pode não ter uma estrela na camisa, mas as suas conquistas são históricas e dignas de serem celebradas", disse a coordenadora de seleções da CBF, Duda Luizelli.

Uma das principais jogadoras da seleção, a atacante Debinha, também apoiou a ideia de não ter mais as estrelas no uniforme. "A retirada das cinco estrelas representa um grande passo para nós mulheres que amamos o futebol. Valorizamos demais o peso da camisa mais respeitada do mundo, mas escrevemos a nossa própria história. Enaltecer as nossas conquistas é fortalecer o futebol feminino", explicou.

A camisa principal, a amarela, tem um tom forte em dourado. A barra da manga tem um detalhe em verde. Já o uniforme dois, o azul, tem uma cor mais escura e o design inspirado em uma constelação de estrelas. As camisas foram colocadas à venda nas lojas a partir desta sexta-feira.

Em Copas do Mundo Feminina, o Brasil tem como melhor resultado o vice-campeonato de 2007, na China, quando perdeu a final para a Alemanha. Na última edição, em 2019, na França, a equipe foi eliminada nas oitavas de final pelas donas da casa.

AMISTOSO

O duelo com o Equador encerrará um hiato de quase nove meses sem compromissos da seleção, algo que tem relação direta, evidentemente, com a pandemia do coronavírus. A equipe atuou três vezes em março, em um torneio amistoso disputado na França, e depois cancelou toda a sua programação, incluindo amistosos com a Costa Rica e os Estados Unidos em abril, e o adiamento da Olimpíada para 2021.

O rival desses amistosos, inclusive, seria outro. O Brasil enfrentaria a Argentina, que pediu o adiamento dos jogos, alegando o aumento dos casos de coronavírus na Europa, onde estão presentes a maioria das atletas que costumam ser convocadas pelo técnico Carlos Borrello.

Assim, para que a seleção disputasse dois jogos no fim de 2020, intensificando a preparação para a Olimpíada de Tóquio, a CBF acertou a realização dos amistosos com o Equador. Será, com isso, um reencontro com a técnica Emily Lima, que dirigiu a equipe entre novembro de 2016 e setembro de 2017, quando foi demitida.

Agora, então, ela está à frente do Equador, que em seu último duelo com o Brasil perdeu por 8 a 0, na Copa América de 2018. Os gols daquela partida foram marcados por Cristiane (2), Bia Zaneratto (2), Andressinha, Formiga, Rafaelle e Debinha.

Embora não atue desde março, a seleção feminina não estava completamente paralisada nesse período. Com foco na Olimpíada, a técnica Pia Sundhage chamou atletas para dois períodos de treino. Eles foram em Portugal, com atletas que atuam no exterior, e na Granja Comary, restrita a jogadoras em atividade no futebol nacional.

Pia, que precisou cortar Marta, pois a craque contraiu o coronavírus, convocou algumas novatas para os amistosos da seleção. A equipe pode ter, assim, até oito estreantes com a camisa do Brasil nos confrontos com o Equador.

São os casos de Duda e Julia Bianchi, e a defensora Camila, todas do Avaí/Kindermann, e a atacante Jaqueline, do São Paulo, que podem atuar pela primeira vez pelo Brasil, assim como as meias Ana Vitória, do Benfica, e Valéria, do Madrid CFF, além das atacantes Giovana, do Barcelona, e Nycole, do Benfica, que já haviam participado de períodos de treinos com a equipe, e que agora foram chamadas pela primeira vez para jogos internacionais.

"Eu gosto muito quando temos jogadoras novas, porque lembram as mais experientes que não podem relaxar e achar que a vaga está garantida. Elas são novas ainda, comentem alguns erros no campo, mas essa mistura é realmente interessante. Eu acho que quando tem jogadoras mais novas, elas sempre tentam dar o melhor delas. As mais experientes sentem isso e acabam se dedicando ainda mais. Além disso, temos jogadoras muito técnicas que me surpreendem", disse Pia, em entrevista coletiva.

 

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