Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

'Seleção Brasileira não é refém de Neymar', diz Parreira

Nos jogos do Brasil contra Japão e México, craque fez dois gols e foi o mais procurado pelo time

Mateus Silva Alves - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2013 | 07h16

SALVADOR - A extraordinária atuação de Neymar contra o México encantou os torcedores brasileiros e mereceu elogios em todos os cantos do mundo – especialmente na Espanha, onde o craque vai viver após a Copa das Confederações. Mas, por incrível que pareça, ela deixou evidente um problema que, se não for resolvido rapidamente, poderá colocar a seleção em apuros no resto da competição: a dependência excessiva do seu melhor jogador.

Na quarta-feira, Neymar não fez “apenas” o primeiro gol do Brasil e a linda jogada do segundo. Ele esteve envolvido em praticamente todas as ações ofensivas do time, seja chutando para o gol ou dando passes açucarados para os companheiros. Neymar foi o jogador mais acionado da equipe no Castelão (recebeu 46 passes), muito mais do que seus colegas de ataque, que ficaram completamente ofuscados pela estrela da companhia.

É justamente aí que mora o perigo, e Luiz Felipe Scolari sabe disso. Oscar, que dificilmente joga mal pela seleção, esteve apagado contra o México. Fred, por sua vez, passeou pelo gramado sem ser notado. Hulk parece bastante inseguro quando veste a camisa do Brasil. E como Paulinho foi poucas vezes ao ataque, restou a Neymar o apoio dos laterais – um apoio valioso, é claro, mas o craque precisa de muito mais do que isso para não se sentir só.

O que se viu na partida do Castelão foi a repetição de um problema que aborreceu bastante Neymar no Santos. Sem ter jogadores do seu nível por perto (ou que se aproximassem pelo menos um pouco do seu nível), o craque tinha sempre de se virar sozinho e isso era cansativo para ele.

Solista. Neymar não esperava encontrar a mesma dificuldade na seleção brasileira, que tem atletas de nível bem mais elevado do que o Santos. Ao menos por enquanto, porém, o craque nem pensa na possibilidade de reclamar.

Apesar de Neymar ter carregado a equipe nas costas contra o México, o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira diz ter certeza de que a seleção não corre o risco de sofrer de “Neymar-dependência”.

Parreira acredita que os cuidados que a comissão técnica toma com seu jogador mais talentoso são suficientes para que o problema não exista. “Essa Neymar-dependência podia acontecer no Santos, mas aqui, não”, afirmou Parreira. “Não vai ocorrer porque nós não colocamos tanta responsabilidade sobre ele. Naturalmente, o Neymar vai se destacar, mas todos os grandes jogadores precisam de um grande time por trás para brilhar.”

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