Bruno Nogueira/Estadão
Bruno Nogueira/Estadão

Seleção brasileira põe favoritismo à prova no Mundial de futebol de 5

Brasil busca seu quinto título; final será no mesmo dia da estreia do time de Tite na Rússia

Renan Cacioli, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 07h00

No dia 17 de junho, às 15h, o Brasil vai parar para acompanhar a estreia de Neymar e companhia na Copa do Mundo da Rússia, contra a Suíça. Há, porém, uma outra seleção brasileira de futebol muito mais favorita que, se tudo der certo, jogará neste mesmo dia pelo título mundial.

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Atual bicampeão do mundo e dono de quatro taças das seis disputadas até hoje, o selecionado canarinho de futebol de 5, esporte praticado por atletas deficientes visuais, inicia sua caminhada rumo ao penta contra a seleção de Mali, hoje, em Madri, na Espanha, carregando favoritismo bem superior ao do time dirigido por Tite.

Na realidade, tropeçar é um verbo raro para o Brasil na modalidade dos deficientes visuais, que jogam com vendas nos olhos e são guiados pelos som de um guizo dentro da bola. Além das quatro Copas no currículo já citadas, essa equipe conquistou todas as edições de Paralimpíadas disputadas até hoje (Atenas-2004, Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016) e todos os Jogos Parapan-Americanos já realizados (Rio-2007, Guadalajara-2011 e Toronto-2015).

Ao todo, acumula 128 vitórias em 178 jogos oficiais (quase 80% de aproveitamento) desde 1997, ano do primeiro torneio de ponta do qual participou, a Copa América, no Paraguai. Foram 31 troféus erguidos de lá para cá. No tempo normal, sem contar decisões por pênaltis, o Brasil saiu de campo derrotado em apenas 12 ocasiões. Atualmente, defende uma invencibilidade de 58 partidas. 

Números que impõem respeito e fazem os próprios brasileiros se declararem favoritos. “Poucos países têm a mesma estrutura que a nossa. Além disso, temos jogadores talentosos em todos os setores. Também pesa a experiência, a rodagem, é um grupo que já teve o gostinho de ser campeão, brigar por títulos. E sabe jogar competição”, diz o treinador Fábio Vasconcelos, que assumiu o comando da seleção em 2013, após quase dez anos como goleiro do time.

Há, porém, armadilhas para quem almeja se manter no topo. Uma delas é superar as retrancas que os adversários costumam montar quando se deparam com os brasileiros, superiores tecnicamente à maioria dos oponentes. Foi assim, por exemplo, que a Argentina segurou o 0 a 0 na final da Copa América de 2017, realizada no Chile, e venceu nos pênaltis. 

O vice interrompeu uma sequência incrível de 24 títulos iniciada depois da segunda colocação no Mundial de 2006, em Buenos Aires, quando o time canarinho perdeu a final também para os “hermanos”, por 1 a 0. 

Sim, a exemplo do futebol tradicional, nossa maior rival na modalidade para cegos é a Argentina. Não à toa, foi quem impôs a última derrota brasileira no tempo normal: 2 a 1, em maio de 2013.

“A derrota faz parte. Muita gente fala que o Brasil é imbatível, mas isso não existe. Tanto que muitos resultados de campeonatos que a gente ganhou foram por placares apertados”, destaca Vasconcelos.

O Mundial em Madri contará com 16 participantes divididos em quatro grupos. Os dois melhores de cada chave avançam às quartas de final. O Brasil enfrentará Mali, Costa Rica e Inglaterra. Além do troféu, o título mundial garante vaga direta para os Jogos Paralímpicos de Tóquio-2020.

MELHORES DO MUNDO

Se o Brasil é o time a ser batido no futebol de 5, deve muito disso a dois jogadores: os alas Ricardinho e Jefinho. O primeiro é o atual melhor do mundo. O segundo foi o detentor imediatamente anterior do posto. Entre os cegos a escolha se dá de quatro em quatro anos. O gaúcho Ricardo Steinmetz Alves, de 29 anos, conquistou a honraria pela segunda vez em 2014, depois de ser campeão do mundo no Japão. Antes, havia sido eleito o melhor de 2006. Um deslocamento na retina aos seis anos de idade comprometeu a sua visão. Até os oito, foram cinco cirurgias, que não evitaram a perda total. Das “lembranças vagas”, como define, que carrega do período em que enxergava, uma é especial: “Foi na Copa de 1994, quando o Taffarel pegou os pênaltis na final”, diz o craque.

Antes de Ricardinho, era o baiano Jeferson da Conceição Gonçalves, de 28 anos, quem ostentava a coroa de rei. Questionado sobre quem é mais favorita – a seleção que defende ou a de Neymar –, Jefinho, que perdeu a visão aos 7 anos por conta de um glaucoma, não se complica: “Tanto a nossa quando a convencional chegam muito bem preparadas. Quem sabe as duas não possam conquistar os títulos”

 

 

 

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