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Wilton Junior / Estadão
Wilton Junior / Estadão

Seleção brasileira protocolar chega a mais uma final de Copa América

Decisão será no sábado, no Maracanã, contra Colômbia ou Argentina, que se enfrentam nesta terça-feira

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2021 | 11h00

A vitória magra e nada empolgante do Brasil sobre o Peru na noite dessa segunda-feira por 1 a 0 serviu, ao menos, para confirmar o que praticamente todo mundo já esperava: a seleção está na final da Copa América, e aguarda apenas pelo resultado da outra semifinal para saber se terá pela frente a Argentina ou a Colômbia no Maracanã no próximo sábado. Mas até mesmo a classificação serviu para reforçar o que a competição sul-americana tem se demonstrado até agora: meramente protocolar.

A ida à decisão também funciona como um capricho - ou uma ironia - do destino: a final será disputada entre o Brasil, que aceitou receber a Copa América de última hora, e Argentina ou Colômbia, os dois países que originalmente sediariam a competição, mas que acabaram desistindo por receio da pandemia.

Dentro de campo, a seleção chega à final quase sem boas notícias. Ainda que o time de Tite seja hoje o melhor dentre as dez que compõem a Conmebol - e a campanha irretocável nas Eliminatórias, com seis vitórias em seis jogos, comprova isso -, pouco do que se viu até aqui na Copa América serve para empolgar o torcedor.

Claro que há pontos positivos. Neymar, o "arco e flecha" de Tite, está jogando no seu melhor nível. Arma, dribla, volta para marcar, finaliza, deixa os companheiros na cara do gol. Até mesmo as polêmicas ficaram de lado ou dentro do tolerável - como quando criticou de forma irônica o péssimo gramado do Engenhão, ou na entrevista após o jogo com o Peru, quando disse com todas as letras que quer a Argentina na decisão.

Lucas Paquetá também precisa ser exaltado. Ele está sendo nesta Copa América o que Everton Cebolinha foi na edição de 2019 - e não vem sendo agora. O ex-jogador do Flamengo tem entrado bem e demonstrado ótimo entrosamento com Neymar. Foi de Paquetá os dois gols decisivos nos playoffs desta copa.

Coletivamente, o Brasil de Tite tem um ponto que há muito merece ser elogiado. Trata-se de um time seguro e solidário defensivamente. Basta observar: quando o adversário recebe a bola, sempre três jogadores brasileiros passam a cercá-lo. E isso vale para todos os setores do campo.

O problema é que a Copa América também escancara deficiências. As vitórias magras e sofridas diante de um Chile envelhecido e de um Peru desfalcado mostram que o Brasil carece de criatividade e que ainda não encontrou meios de superar com mais facilidade seleções que se fecham.

Tite tem razão quando aponta as condições ruins dos gramados ou o excesso de jogos, mas isso não serve para explicar o futebol burocrático jogado pela maior parte do time. Tampouco explica por que a seleção deixou de chutar de fora de área - uma arma que no ciclo para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, funcionou diversas vezes, em especial com Philippe Coutinho e o próprio Neymar. Nesta Copa América, mesmo com os gramados ruins, a ordem parece ser entrar no gol com bola e tudo. Contra o Chile e contra o Peru, porém, mesmo isso foi difícil.

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