Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Seleção brasileira resgata tradição e voltará ao Maracanã depois de seis anos

Imbróglios no estádio contribuem para a equipe ficar longe do principal palco do futebol brasileiro

Ciro Campos, enviado especial a Teresópolis, O Estado de S. Paulo

05 de julho de 2019 | 04h30

Jogar no Maracanã será uma novidade para boa parte da seleção brasileira no próximo domingo, na final da Copa América. O estádio mais tradicional do futebol brasileiro e marcado por sediar muitas partidas históricas da equipe perdeu tanto espaço nos últimos a ponto de a decisão do título marcar a estreia no local de alguns jogadores e, em partes, até do técnico Tite.

Depois de bater a Argentina por 2 a 0, no Mineirão, e garantir vaga na decisão, o treinador revelou o quanto esperava pela oportunidade de atuar como técnico da seleção no Maracanã, algo ainda inédito. "Eu vou me tornar verdadeiramente técnico da seleção brasileira. A 'boleirada' sempre fala que só se torna jogador se jogou no Maracanã. É a mesma coisa com treinador. Eu vou trabalhar pela primeira vez como técnico da seleção no Maracanã", comentou.

Mesmo jogadores importantes da seleção atual não tiveram a chance de jogar no mítico estádio. O volante Casemiro, por exemplo, foi revelado pelo São Paulo enquanto o Maracanã passava por obras e não atuou lá ainda. O atacante Firmino deixou o Brasil muito cedo, ainda aos 19 anos, jamais disputou partidas da Série A do Brasileiro e vai pisar pela primeira vez no local no próximo domingo.

Outros atletas só estiveram no antigo Maracanã antes da grande reforma realizada para a Copa de 2014. O meia Philippe Coutinho era um garoto de 17 anos em 2009 quando defendeu o Vasco pela Série B do Brasileiro daquele ano. Uma das estrelas da seleção atual, ele até agora jamais pode jogar pelo Brasil na cidade natal. "Sou do Rio, estou feliz por voltar a jogar na minha cidade. O Maracanã fica perto do bairro onde nasci (o Rocha)", comentou.

O lateral Alex Sandro se lembra bem da sensação especial de ter jogado no Maracanã. O jogador da Juventus atuou duas vezes no estádio ainda antes da reforma e guarda detalhes dessa experiência. "Eu fiz uma assistência pelo Santos em um jogo contra o Fluminense. É sempre uma emoção especial jogar no Maracanã. É o estádio que todos os garotos sonham em um dia jogar", afirmou.

Maracanã enfrentou problemas nos últimos anos

A última vez que a seleção principal jogou no estádio foi há mais de seis anos, em 30 de junho de 2013. À época dirigido por Felipão, o Brasil derrotou a Espanha por 3 a 0 e conquistou a Copa das Confederações, naquele que foi o último título da seleção. 

O hiato de seis anos sem atuar no mais icônico palco de futebol do País se tornou o segundo maior período sem partidas da seleção no Maracanã desde que o estádio foi inaugurado, em 1950. O maior intervalo durou sete anos, entre 2000 e 2007, mas nos dois últimos o estádio esteve fechado devido a obras para os Jogos Pan-Americanos de 2007.

A ausência de jogos do Brasil desde 2013 se deve a uma previsão que não se concretizou e a imbróglios que envolvem a administração do Maracanã. 

A previsão diz respeito à Copa do Mundo de 2014. À época, os organizadores do Mundial do Brasil distribuíram os jogos da seleção de modo que a equipe atuasse no maior número de sedes possível, o que incluiu reservar o Maracanã apenas para a decisão. Só que aí veio os 7 a 1 na semifinal com a Alemanha e a arena ficou apenas na intenção da CBF.

Depois disso, uma série de problemas envolvendo a gestão do estádio afastou o Brasil do principal palco do Rio de Janeiro. Então administrador da arena, o Consórcio Maracanã tentou devolver a gestão ao governo estadual alegando quebra de contrato. Em grave crise financeira, o Estado do Rio se negou a receber de volta. Ao mesmo tempo, o estádio foi cedido durante a maior parte do ano de 2016 ao comitê que organizou os Jogos Olímpicos do Rio – e, quando foi devolvido, apresentou problemas que ninguém queria pagar.

Sem que os gestores se entendessem, o Maracanã passou a conviver com gramado ruim, ausência de assentos em parte da arquibancada e até furto de material. Assim, a CBF decidiu evitar o estádio. Neste século o Brasil só jogou no Maracanã quatro vezes. Nos últimos anos, as obras para modernizar o local, assim como imbróglios sobre a concessão e a operação do estádio afastaram a seleção brasileira da arena. No Rio, o time de Tite chegou a fazer um amistoso em janeiro de 2017, contra a Colômbia, realizado no Engenhão.

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