Seleção brasileira tenta superar trauma no Mundial de Futsal

Equipe quer evitar que se repita o que aconteceu em 2000 e 2004, quando era favorita e fracassou

Giuliander Carpes - O Estado de S. Paulo,

28 de setembro de 2008 | 22h13

Erros, derrota, tristeza, decepção. Nestes últimos dias de preparação para o Mundial de Futsal, os jogadores da seleção brasileira estão tendo de lidar novamente com sentimentos que afloraram nas derrotas para a Espanha na final da Copa de Mundo de 2000 e na semifinal da de 2004. Em ambas, o time de Falcão e companhia era o favorito absoluto, mas fracassou. "A responsabilidade nossa agora é maior por ter perdido os últimos dois campeonatos", analisa Falcão.Veja também:O Brasil no Mundial de FutsalEm 2004, o grupo estava rachado. De um lado, Manoel Tobias, duas vezes eleito o melhor jogador do planeta, comandava uma "panela" de atletas mais experientes. De outro, Falcão, então melhor do mundo, era o chefe da turma dos jogadores emergentes."A gente não concordava em algumas coisas", conta o ala, sem entrar em detalhes. Esta disputa chegou a criar empecilhos para alguns atletas que estavam em grande fase na época, caso de Lenísio, por exemplo, artilheiro do campeonato espanhol, mas que pediu para não ser convocado para a competição. "Não me sentia feliz na seleção", confessa.A derrota nos pênaltis para a os espanhóis, depois de um 2 a 2 no tempo normal, em Hong Kong, há quatro anos, foi o resultado. Ainda dói para o goleiro Franklin, titular na ocasião. "No último mundial, disputei todas as partidas e parece que a tristeza fica maior", afirma, sem disfarçar um pouco de desilusão. "É incrível, parece que a responsabilidade aumenta muito. Quando começaram os pênaltis, peguei uma cobrança e veio à minha cabeça que íamos ser campeões. Mas não fomos."Quando aceitou o cargo de técnico da seleção brasileira, Paulo César de Oliveira sabia que o desafio de diminuir o peso do fardo sobre os ombros dos jogadores neste mundial fosse menor. Uma de suas primeiras definições, então, foi trazer para a equipe a psicóloga Melissa Voltarelli, especializada em esporte. Seu trabalho tem sido fundamental para amenizar a pressão da "obrigação" de uma conquista no Brasil."A ansiedade é algo natural para os atletas", explica Melissa. "O nosso trabalho aqui tem sido não deixar que ela seja muito grande e prejudique o desempenho ou muito pouca que faça os jogadores amolecerem."Os jogadores parecem ter entendido a proposta. "Hoje todos brigamos pelos mesmos objetivos todos os dias", explica Falcão. "As derrotas fizeram com que a gente aprendesse. Todo campeonato você ganha dentro de fora de quadra. Hoje a gente tem toda a estrutura necessária. E isto faz diferença." A superação total do trauma está marcada para 19 de outubro, dia da final do Mundial do Brasil.

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