Seleção: CBF tem critério para amistosos

A escolha do local dos jogos da seleção nas eliminatórias do Mundial de 2006, aqueles disputados no Brasil, tem obedecido a critérios até então mantidos em sigilo pela direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A definição dos Estados onde vão ser realizadas as partidas está associada ao cumprimento de exigências feitas pela CBF. Ou seja, a entidade apresenta um caderno de encargos para as federações de futebol e governos estaduais, estabelece prazos para reformas nos estádios e, com isso, avança algumas etapas na preparação do País para ser sede do Mundial de 2014, decisão que a Fifa anunciará em 2008. ?Modernizar agora os estádios, com a ajuda de recursos públicos, é uma maneira de dar duas tacadas numa só?, disse o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. De acordo com o dirigente, a escolha segue também uma estratégia, a de evitar que jogos de ?risco? sejam disputados em cidades onde tradicionalmente o público é mais crítico, ?menos paciente?. Para o clássico de 2 de junho, com a Argentina, Teixeira optou pelo Mineirão após um pedido do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Embora tenha lembrado que a torcida local tivera atitude muito severa com a seleção durante um jogo disputado em 1993, pelas eliminatórias, no qual o Brasil venceu a Venezuela por 4 a 0, Teixeira, decidiu-se pelo Mineirão por considerá-lo ?um palco suntuoso? para a importância da partida e pelo fato de o Estado não abrigar jogos de peso da seleçãohá vários anos. A partida seguinte, em casa, contra a Bolivia, também já está marcada: será no Morumbi. A CBF quis homenagear São Paulo, no ano em que a cidade comemora 450 anos. Além disso, a princípio, a Bolívia não é um adversário temível. Depois desse confronto, a seleção voltará a atuar em casa, contra a Colômbia, em Maceió. Como já jogou pelas eliminatórias em Manaus (1 a 0, contra Equador) e Curitiba (3 a 3 com Uruguai), pode-se afirmar que cinco cidades estão certas na lista que a CBF enviará em quatro anos para a Fifa, na disputa da sede da Copa de 2014: Belo Horizonte, São Paulo, Maceióh, Manaus e Curitiba. Das 12 cidades que vão ser indicadas pela CBF fazem parte ainda o Rio de Janeiro e Salvador, que devem abrigar jogos do Brasil em 2005. ?No Maracanã, a pressão é sempre muito forte. Temos de pensar nesse aspecto antes de programar para o Rio uma partida?, prosseguiu, durante entrevista hoje a tarde, no hotel da delegação, em Assunção, pouco antes de ir para o Estádio Defensores Del Chaco. O dirigente disse que a opção por São Luís para o jogo final das últimas eliminatórias, quando o Brasil derrotou a Venezuela e garantiu classificação à Copa de 2002, foi tomada por causa da convicção da entidade de que a seleção seria muito bem recebida no Maranhão. Entre as obras previstas nos cadernos de encargo incluem-se melhorias nos acessos dentro e fora do estádio e assentos mais confortáveis para os torcedores, no que poderia resultar na diminuição da capacidade de público de alguns centros. ?Na Copa da França jogamos em estádios com limite de pouco mais de 30 mil pessoas. Na Coréia do Sul, em 2002, também. A Fifa só exige dois estádios para grande público, o de abertura e o de encerramento do Mundial.? Ele citou como os que oferecem melhores condições, hoje, no Brasil, o Vivaldo Lima (Manaus), a Arena da Baixada (Curitiba) e o do Paysandu (Belém). ?Mas todos ainda precisam de obras.? Modelo - O presidente da CBF disse que dificilmente o atual modelo das eliminatórias sul-americanas será alterado nas próximas edições. Deu um argumento forte de algumas federações que não aceitam a divisão das seleções em dois grupos de cinco, com a classificação dos dois primeiros. ?Alguns paises vizinho acreditam que assim a Bolívia seria beneficiada, por que jogaria quatro vezes em casa (teoricamente ganhando 12 pontos na altitude) e que depois só precisaria de um empate para assegurar uma vaga. Assim, com Brasil e Argentina como favoritos, restaria apenas uma outra vaga para os outros.? Há um outro aspecto que Teixeira não abordou, mas que reforça a sua opinião de que as eliminatórias continuarão longas a partir de 2006. Equipes como a Venezuela ou Peru arrecadam nos jogos com Brasil e Argentina em casa o que não conseguiriam no ano inteiro. Custo - Ricardo Teixeira disse que o custo das eliminatórias para o Brasil, só no que se refere a passagens aéreas, é de cerca de 3 a 4 milhões de dólares. O jogo com o Paraguai, hoje, representou uma despesa geral para a CBF de USS 250 mil. Amistoso - Ele confirmou amistoso em 20 de maio, do Brasil contra a seleção da Catalunha, na Espanha, e disse que os jogadores convocados para a partida poderão ficar juntos com a seleção até o dia 25, data do jogo com a França, em Paris, em comemoração ao centenário da Fifa.

Agencia Estado,

31 de março de 2004 | 18h47

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