Seleção continua atrás de um líder

Resultados à parte, uma coisa que ainda preocupa a comissão técnica da seleção brasileira é a falta de um líder nato. Quando achava que tinha encontrado o homem certo e confiou a função ao volante Mauro Silva, o técnico Luiz Felipe Scolari sofreu a maior decepção desde que assumiu o cargo. O jogador, alegando medo de ir à Colômbia, refugou já no aeroporto. A Cali, cidade onde os brasileiros estão sediados na Copa América, chegaram apenas suas malas. Como o ?trabalho? de um líder não pode ser ensinado, pois trata-se de um comportamento natural da pessoa, a comissão técnica aguarda com paciência o surgimento espontâneo de alguém que demonstre o tal ?espírito de liderança?. "Não podemos escolher um atleta e chegar para ele falando ?ei! de hoje em diante você é o líder do grupo? ", afirmou uma pessoa ligada à cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Mas se o pensamento popular que diz que um líder dificilmente surge nos momentos bons, mas sim diante das dificuldades, os mais cotados são, coincidentemente, os dois goleiros: Marcos e Dida. "Pelo menos eles são os que mais falam com os companheiros, dentro do campo e, sobretudo, fora dele??, afirmou o dirigente. "E isso é uma das características básicas de um atleta cotado para essa função.?? De fato, a reunião fechada entre os jogadores e alguns integrantes da comissão técnica, realizada depois da derrota para o México na primeira rodada, foi uma sugestão de Dida. Juventude - Uma das razões apontadas para que a equipe ainda não conte com uma liderança é a presença de muitos jogadores jovens no elenco. "Eles estão naquela fase de se familiarizar com o ambiente. Além disso, os mais experientes, como o Roque Júnior e o Emerson, são pessoas naturalmente caladas??, explicou o cartola. Até mesmo jogadores consagrados, como é o caso de Rivaldo, já provaram que não têm a personalidade característica do ?cargo?. O próprio Luiz Felipe Scolari afirmou nas véspera da partida contra o Peru, vencida por 2 a 0 pelos brasileiros, que estava se esforçando para que seus comandados falassem mais. "Puxa vida, para conseguir um bom dia do Roque (Júnior) ou do Juan é um sacrifício??, afirmou o treinador.

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