João Nicodemus
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Seleção de Malaika supera Angola nos pênaltis e conquista a Copa dos Refugiados

Competição que reuniu quase mil imigrantes teve festa nas arquibancadas e personagens excêntricos

Ricardo Magatti, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2018 | 19h59

Sonhando com uma chance no futebol profissional, atletas de várias nacionalidades fizeram a final da Copa dos Refugiados no Estádio do Pacaembu, nesta terça-feira, feriado em que se comemora o Dia da Consciência Negra. Depois de empatar em 1 a 1, Malaika, seleção da Agência da ONU para refugiados (ACNUR) formada por atletas de diversos países, derrotou Angola, vencedora da etapa do Rio de Janeiro, nos pênaltis e conquistou o torneio. 

Malaika ficou perto de vencer a partida no tempo normal. Dominou boa parte da partida, que é dividida em dois tempos de 30 minutos, e abriu o placar na metade do segundo tempo. No entanto, Angola empatou com um gol de cabeça no último lance do jogo e levou a decisão às penalidades. O time de Malaika converteu todas suas chances e viu o adversário errar duas cobranças. 

Níger, campeão da etapa de São Paulo, e o Líbano, representante de Porto Alegre, também participaram da fase nacional da competição, que contou com danças festivas e personagens chamativos. Malaika, por exemplo, teve dois técnico à beira do campo, além de um diretor. Entre a dupla de treinadores, um era praticamente silencioso, enquanto o outro, engravatado, reclamava e gesticulava com os jogadores e o árbitro por quase toda a peleja.

No final, o goleiro vencedor celebrou à la Kidiaba, arqueiro congolês que ficou famoso por comemorar de forma peculiar, quicando no gramado, o triunfo do Mazembe sobre o Internacional, na semifinal do Mundial de Clubes de 2010. 

O torneio está em sua quinta edição e foi idealizado pela ONG África do Coração com o apoio institucional da Agência da ONU para Refugiados, a Acnur. Neste ano apresentada com o lema "Não me julgue antes de me conhecer", a competição, que tem como um dos principais objetivos a integração social dos imigrantes e refugiados, reuniu quase mil jogadores, de 27 nacionalidades diferentes espalhados em 41 seleções.

"O projeto ajuda a fazer a integração na sociedade. Nosso objetivo principal é quebrar o olhar preconceituoso e xenofóbico. Fugimos para salvar nossa vida. Não foi uma escolha", explicou ao Estado o sírio Abdulbaset Jarou, coordenador geral do evento. Ele fugiu da guerra civil em seu país e está no Brasil desde 2014.

Segundo dados do Ministério da Justiça, até o fim de 2017, o Brasil reconheceu 10.145 refugiados, sendo que apenas 5.134 continuaram em 2018 com registro ativo no país. Destes, pouco mais da metade (52%) moram em São Paulo. 

 

 

 

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