Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Seleção de Tite para a Copa do Mundo é 'graduada' no futebol europeu

Jogadores convocados para defender o Brasil na Rússia passaram em média 68% de suas carreiras atuando no velho continente

Almir Leite, enviado especial a Londres, e Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2018 | 07h00

Nascidos no Brasil, lapidados no exterior e agora novamente a serviço do País natal. A seleção brasileira convocada pelo técnico Tite para a Copa do Mundo na Rússia é uma das mais internacionais da história do time, pois os 23 jogadores têm pelo menos uma temporada de experiência no futebol europeu, mercado para onde todos os atletas foram bem cedo e construíram a maior parte da carreira.

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Levantamento feito pelo Estado mostra que, em média, o grupo da seleção brasileira passou 68% do tempo como jogador profissional em algum clube da Europa. O tempo de permanência deles em times brasileiros é bem menor, com cerca de 29% da carreira construída no País. Portanto, a busca pelo hexacampeonato será comandada por quem praticamente se formou no futebol europeu.

Em média, esses jogadores da seleção de Tite saíram do Brasil para a primeira transferência rumo ao velho continente com apenas 19 anos. Nessa idade, geralmente quem está em equipes brasileiras atua em categorias de base, ainda em processo de formação como profissional.

“É importante vir cedo para a Europa, mas mais importante ainda é vir no tempo certo. Se confundir o momento, a gente acaba perdendo alguns atletas”, avaliou o lateral Danilo.

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O jogador do Manchester City, por exemplo, saiu do Santos aos 20 anos e está na Europa há mais de seis temporadas. Se não estivesse machucado, o titular da posição seria Daniel Alves, que dos 17 anos de carreira, está há 16 no velho continente.

Mesmo os três jogadores chamados por Tite que atuam no futebol nacional tiveram logo cedo passagens pelo exterior. O zagueiro Geromel se tornou profissional em Portugal para só aos 29 anos voltar ao Brasil; o lateral Fagner saiu com apenas 18 anos; e o goleiro Cássio já estava na Holanda aos 20 anos.

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Em Copas anteriores o Brasil teve uma seleção um pouco mais ‘nacional’. No ano do último título, em 2002, três titulares do penta (Marcos, Gilberto Silva e Kléberson) atuavam em clubes locais. Nos Mundiais seguintes, os convocados que trabalhavam no futebol brasileiro eram na maioria reservas. Em 2014, apenas um jogador entre os 23 de Felipão não tinha experiência no exterior, o terceiro goleiro Victor, do Atlético-MG.

Danilo considera a bagagem europeia obtida desde cedo como uma grande vantagem. “Isso é importante porque estamos acostumados a jogar a Liga dos Campeões, sempre com pressão de ter de vencer. Isso conta muitos pontos para a seleção quando a gente chega neste momento de ter de entrar para ganhar uma Copa”, comentou.

Nem todos concordam com isso. O técnico da seleção brasileira na Copa de 1990, Sebastião Lazaroni, diz que a saída precoce prejudica a identificação do torcedor com os jogadores. “Acho o processo doloroso. Você não vê esse crescimento do atleta de perto. Os times europeus têm cada vez mais observadores no Brasil e já na base os garotos se transferem”, disse.

Apresentação

O elenco da seleção tem jogadores que se tornaram mais conhecidos no Brasil graças às convocações recentes. Roberto Firmino, por exemplo, jamais jogou na Série A do Brasileiro e foi a surpresa de uma lista em 2014 quando estava no Hoffenheim, da Alemanha. O goleiro Ederson nunca atuou por times do País e o zagueiro Marquinhos fez só 15 partidas pelo Corinthians.

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