Seleção de Togo foi advertida a não viajar de ônibus

Nenhuma seleção deveria viajar de ônibus. Eu não sei o que os levou a isso, diz organizador da Copa

Julien Pretot, Reuters

09 de janeiro de 2010 | 14h17

A seleção de futebol de Togo foi advertida a não viajar de ônibus para a província angolana de Cabinda, afirmou no sábado uma autoridade ligada ao futebol africano, um dia depois de homens armados terem emboscado os jogadores enquanto eles se seguiam para a Copa Africana de Nações.

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O ataque ocorreu cinco meses antes de a vizinha África do Sul sediar a Copa do Mundo, tornando-se o primeiro país do continente a organizar o evento.

Virgilio Santos, uma autoridade do COCAN, o comitê organizador da Copa Africana de Nações, disse ao jornal A Bola que nenhum time deveria viajar de ônibus por Angola.

"Pedimos que todas as delegações nos informassem quando chegariam e fornecessem os números de passaportes de seus jogadores. Togo foi o único time que não respondeu e não informou o COCAN que estava vindo de ônibus", afirmou Santos. "As regras são claras: nenhuma seleção deve viajar de ônibus. Eu não sei o que os levou a isso."

O ex-técnico do Togo Otto Pfister afirmou que o ataque prejudica a Copa do Mundo na África do Sul. "Isso é um grande golpe para a África. Obviamente isso será diretamente ligado à Copa do Mundo agora", disse Pfister à agência de notícias esportiva alemã SID.

O capitão e astro da equipe togolesa, Emmanuel Adebayor, que estava no ônibus mas escapou sem ferimentos, disse que seu país pode abandonar a Copa Africana de Nações, que deve começar no domingo e na qual grandes astros do futebol estarão em campo.

Um abalado Adebayor, que foi contratado pelo Manchester City por 25 milhões de libras (40 milhões de dólares) no ano passado, concordou que o ataque prejudica a imagem africana.

"Continuamos repetindo que, África, nós temos que mudar nossa imagem se quisermos ser respeitados e, infelizmente, isso não está acontecendo", disse Adebayor à BBC. "Muitos jogadores querem desistir (do torneio). Eles viram a morte e querem voltar para suas famílias."

Qualquer repercussão do ataque será observada de perto pela África do Sul, que gastou pelo menos 13 bilhões de rands (1,7 bilhão de dólares) em novos estádios e infraestrutura para a Copa.

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