Rebecca Blackwell/AP
Rebecca Blackwell/AP

Seleção de Togo se prepara para abandonar Copa Africana

Governo pediu para que sua delegação deixasse a Angola depois do atentado que matou ao menos três pessoas

estadao.com.br,

09 de janeiro de 2010 | 17h08

Um time arrasado pelo terrorismo. Esse é o retrato da seleção de Togo, prestes a abandonar a Copa Africana das Nações, que será disputada na Angola. Depois do ataque de sexta-feira, que matou pelo menos três pessoas e feriu outras 11 que viajavam no ônibus da delegação, o governo togolês emitiu uma nota para que a equipe voltasse ao país. O ministro da Administração Territorial, Pascal Bodjona, entende que não garantias necessárias de segurança e não se pode "continuar vivendo essa situação dramática".

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"O governo togolês decidiu pedir para sua equipe que retornasse. Não podemos continuar com estas situações dramáticas na Copa Africana das Nações", disse o ministro. "Os jogadores estão traumatizados e não cremos que a segurança que deveria ser destinada está garantida", completou.

 

Apesar do comunicado, até agora apenas o capitão e craque da equipe Emmanuel Adebayor teria deixado Angola, como informa o Manchester City, clube do jogador. Ele já está saindo de Angola, mas ainda não sabemos se por terra, ou por avião, e também ainda não sabemos o seu destino", disse o porta-voz Simon Heggie.

 

Um dos poucos a manifestar publicamente o desejo de abandonar a competição, o técnico francês Hubert Velud já adiantou que a viagem de volta para casa acontece no domingo pela manhã, ainda sem horário definido.

 

Frente à pressão dos organizadores para garantir a realização da competição e o medo das demais seleções, informações desencontradas rondam os bastidores. De um lado, os donos do que seria mais uma festa para o futebol africano, que realiza a Copa do Mundo em 2010, dizem que o local é seguro. De outro, não há espírito esportivo que dê conta do temor de novos ataques e, por isso, a constante ameaça de boicote geral também circula.

 

"Estamos conversando com outras seleções do nosso Grupo [Burkina-Faso, Costa do Marfim e Gana] para tentar convencê-los a boicotar a competição", disse o jogador Alaixys Romao, em entrevista ao jornal francês L’Equipe.

 

O ônibus da delegação togolesa foi metralhado por terroristas assim que entrou na província de Cabinada, que pertence à Angola. O motorista do veículo, um assistente técnico e o porta-voz da equipe não resistiram aos ferimentos e morreram. Além deles, dois jogadores foram baleados.

 

O grupo Frente de Libertação do Enclave de Cabinda já assumiu a autoria dos atentado. Eles lutam pela independência da região angola, uma das mais ricas em petróleo. No entanto, em 2006, os separatistas assinaram um acordo de paz com o governo angolano em troca de uma autonomia especial para a área.

Atualizado às 21h35 para acréscimo de informação 

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