Seleção encontra sossego em Concepción

Está certo que a estrutura em Concepción está longe da mordomia a que uma seleção brasileira está acostumada, mas não é fácil encontrar uma cidade em que os jogadores tenham tanto sossego. Não existe tietagem na porta do hotel, os garotos saem tranqüilamente para fazer compras do outro lado da rua e pouca gente acompanha os treinos nos campos do Huachipato. E olhe que a delegação está hospedada no centro da cidade. No papel, a informação é de que a população de Concepción é de 210 mil habitantes. Mas é difícil saber onde mora e por anda toda essa gente, porque se vê poucas pessoas nas ruas e restaurantes e o trânsito é uma maravilha. O ´batedor´ que vai de moto à frente do ônibus da delegação brasileira para ´abrir caminho´ cumpre apenas uma formalidade habitual nos compromissos da seleção, porque todos os caminhos são ´abertos´ na cidade. O Pré-Olímpico começa daqui a dois dias, mas pouca gente parece saber da existência do torneio. Não há cartazes divulgando a competição nem chamadas na tevê. Os jornalistas locais dizem que o evento foi muito mal promovido e acham difícil ver um grande público nas rodadas duplas no Estádio Municipal, que tem capacidade para 32 mil pessoas. Para complicar, Concepción não é o que se pode chamar de ´cidade turística´. Tem mar, mas as praias são afastadas e a água, gelada. Seu cartão de visitas é o rio Bio Bio. A cidade tem um perfil industrial e não tem atrações para visitantes. É bem diferente de La Serena, que será sede dos jogos da outra chave e é um dos balneários mais populares do Chile ao lado de Viña del Mar e Reñaca. O acesso por carro a Concepción também dificulta a chegada de ´turistas´. A cidade não fica na beira da grande estrada que une o norte ao sul do país. Para chegar a ela, é preciso pegar uma estrada secundária e andar aproximadamente 100 quilômetros. No caminho para Talcahuano - onde a seleção treina - o ônibus segue pela avenida Costanera, que corre ao lado do Bio Bio. Nos dois lados da pista, o que mais se vê são indústrias pesadas (siderúrgicas, químicas, petrolíferas) enchendo o céu de fumaça. O Centro de Treinamento do Huachipato fica em uma região arborizada conhecida como "Las Higueras" (as figueiras). Não há uma portaria para controlar quem entra e quem sai, mas mesmo assim pouca gente se anima a ir aos treinos. A origem do nome ´Huachipato´ é curiosa: havia muitos patos na região de Las Higueras e o som do apito usado pelos caçadores para atraí-los era ´huachi´. Da junção entre o som do apito e os patos surgiu o nome do clube, que tem azul e preto como cores e um modelo de camisa semelhante ao da Inter de Milão.

Agencia Estado,

04 de janeiro de 2004 | 18h42

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