Seleção estréia em busca do sonho olímpico

A seleção brasileira Sub-23 começa nesta quarta-feira, às 23h10, contra a Venezuela, a luta para conseguir uma das duas vagas reservadas para a América do Sul no torneio de futebol da Olimpíada de Atenas. O tempo de preparação foi curto, o grupo está desfalcado de jogadores importantes e a competição será muito desgastante - serão sete ou oito jogos em 18 dias - , mas mesmo assim o técnico Ricardo Gomes está animado. "Temos muita qualidade para ir em busca do sonho olímpico."A conquista da inédita medalha de ouro é uma obsessão para a CBF, que veria o Brasil fechar o "Grand Slam" do futebol e tornar-se o único país a ser dono ao mesmo tempo dos títulos da Copa do Mundo, dos Mundiais Sub-17 e Sub-20 e da Olimpíada.Para Ricardo Gomes a classificação para a Olimpíada também vale muito, tanto no aspecto profissional como no pessoal.Quando era jogador, ele não pôde ir aos Jogos de 1984 e 1988 por não ter sido liberado pelos clubes (o Fluminense na primeira e o Benfica na segunda). "Ir para uma Olimpíada é um sonho que tenho desde criança. Se conseguir ir agora e ganhar o título, vai ser uma maravilha." Se pudesse contar com todos os jogadores que tinha na cabeça, o técnico colocaria o seguinte time em campo: Gomes, Maicon, Alex, Luisão e Maxwell; Paulo Almeida, Júlio Baptista, Kaká e Diego; Robinho e Adriano. Como Luisão, Júlio Baptista e Kaká não foram liberados por seus clubes e Adriano está machucado, o técnico teve de fazer adaptações.Sua primeira opção era manter o esquema, colocando Fábio Rochemback como segundo volante e Elano na vaga de Kaká. Mas como o jogador do Sporting chegou a Concepción apenas nesta terça-feira à tarde - jogou domingo contra o Benfica pelo Campeonato Português -, Ricardo Gomes acabou mudando o sistema e optando por três atacantes, com Elano fazendo a função de segundo volante e o ataque contando com Robinho, Dagoberto e Daniel Carvalho. É com essa formação ofensiva que o time entrará em campo esta noite para enfrentar o adversário que, na teoria, é o mais fraco da chave.Na falta de um matador e de um meia com a força de Kaká, o técnico decidiu apostar na velocidade e habilidade. Robinho e Daniel Carvalho são os encarregados de fazer as jogadas pelas pontas e Dagoberto jogará mais dentro da área, diferentemente do que faz no Atlético Paranaense. Se sentir necessidade de ter um centroavante típico, Ricardo recorrerá a Marcel, do Coritiba.O Brasil é tratado como favoritíssimo pela imprensa chilena, mas a comissão técnica já doutrinou os jogadores para que não pensem nisso. "Já vi muita seleção boa fracassar. No Pré-Olímpico de 92 o Brasil tinha um timaço e foi eliminado por causa de um empate com a Venezuela. Vamos precisar de muita luta e concentração para alcançarmos o nosso objetivo", afirmou o treinador.Diante da dificuldade para obter informações sobre os adversários, esse trabalho será feito nas rodadas duplas no Estádio Municipal. Nesta quarta-feira, por exemplo, Chile e Uruguai se enfrentarão na partida de abertura, às 20h. O maior problema será em relação ao Paraguai, adversário do Brasil na sexta-feira e que folgará nesta quarta-feira.Com relação à Venezuela, Ricardo conta com o que ele e o auxiliar Cristovão Borges viram em dois amistosos que a equipe disputou há dois meses no Brasil. "Eles têm dois atacantes rápidos e um lateral-esquerdo que sabe jogar e apóia bem."

Agencia Estado,

07 de janeiro de 2004 | 09h06

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