Seleção feminina aprova trabalho de Renê

A mudança no comando técnico da seleção brasileira feminina de futebol foi benéfica para o desenvolvimento da equipe. Esta é a opinião do supervisor Paulo Dutra, que está acompanhando a delegação no Estados Unidos, onde o Brasil realiza alguns amistosos preparatórios aos Jogos Olímpicos de Atenas, em agosto. De acordo com o dirigente, a chegada de Renê Simões foi fundamental para o progresso das jogadoras e o desenvolvimento de um "trabalho sério". No ano passado, as atletas reclamaram publicamente do então técnico Paulo Gonçalves, alegando que ele não participava ativamente do grupo e não dava treinos técnicos e táticos. O treinador acabou demitido. "Todo o elenco está satisfeito com o Renê Simões. As jogadoras estão adaptadas ao estilo de trabalho dele e contentes com os treinamentos", afirmou Dutra. O ambiente nos Estados Unidos está tão bom que a seleção tem vencido os amistosos com facilidade. Se na estréia, segunda-feira, a vítima foi a seleção do Texas, goleada por 5 a 1, na noite de quinta-feira foi a vez do Oklahoma perder por 4 a 1. Ambos os jogos foram realizados em Arlington, no Texas. Domingo, elas enfrentam a seleção do SMU, um time universitário de Dallas, também no Estado do presidente George Bush. Mas a partida que realmente interessa para a comissão técnica é a do dia 24 contra a seleção dos Estados Unidos, candidata à medalha de ouro em Atenas. "Será o teste final. E tenho certeza de que vai ser o nosso primeiro triunfo contra as americanas." A confiança do dirigente não vem só do trabalho do novo treinador, mas também do bom relacionamento entre as atletas e a ausência de vaidades. "Elas estão conscientes da responsabilidade de trazer uma medalha. E acredito que possamos conquistar o ouro." Porém, tanto Dutra quanto Renê Simões precisam lidar com alguns transtornos. O principal deles é a falta de clubes para as atletas manteram a forma física e continuarem praticando o futebol quando estão longe da seleção. "Conseguimos diminuir o número de jogadoras inativas. Hoje, das 18 que estão conosco aqui nos Estados Unidos, apenas cinco vivem este drama." Segundo ele, estas cinco atletas procuram manter o contato com o futebol praticando futsal. "Mas isto nada tem a ver com o jogo no campo. Somente serve para elas manterem o ritmo", afirmou Dutra. Já as 13 jogadoras que têm clube, participam da Liga do Interior de São Paulo. O dirigente frisou que, se não fosse a ajuda da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o futebol feminino brasileiro estaria passando por dificuldades muito maiores que a atual.

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