Seleção festeja como se fosse um título

Assim que o jogo acabou, os jogadores brasileiros comemoram como se tivessem conquistado o título mundial. Alguns, no entanto, festejaram com um pouco mais de intensidade. Lúcio, Zé Roberto, Gilberto vibraram como nunca, assim como Emerson. O quarteto tem algo em comum: os três primeiros jogam em equipes alemães e o volante gaúcho foi, de 1997 a 2000, um dos pontos de referência do Bayer Leverkusen."Não teve nada de raiva, mas um gostinho especial", admitiu Gilberto, titular do Hertha Berlim. "Seria chato perder para a Alemanha, porque eu iria ouvir muita gozação, quando voltasse das férias", revelou. "Não estava a fim de piadas, não dos jogadores, mas dos torcedores, na rua." Gilberto garante que manteve atitude respeitosa com os donos da casa, mas lembrou de episódio recente. Tempos atrás, desafiou seu companheiro Arne Friedrich em uma partida de play station, no ócio da concentração. Ele defendia o Brasil e venceu. "Na saída, eu brinquei com ele e disse que tinha vencido pela segunda vez." O amigo-rival sorriu.Lúcio também admitiu que o resultado foi especial. Durante o jogo, dividiu forte, reclamou, deu dois chutões na bola e ficou eufórico com o resultado. No entanto, garante, tudo isso acabou assim que foi para o vestiário. "Tenho relacionamento muito legal com jogadores, com a torcida, com a imprensa da Alemanha", afirmou. "A reação foi apenas pela vontade de vencer, pela dificuldade que tivemos no jogo", lembrou."Esse é meu jeito. Não tenho nada contra ninguém. Ao contrário, respeito e sei que sou respeitado por todos. Só fiquei feliz porque estamos na final." Emerson saiu de campo esgotado, mas com a sensação de dever cumprido. O volante disse que sentiu "raiva", não dos alemães e sim da situação que o Brasil viveu, sobretudo por decisões do árbitro. "Ele nos pressionou, o que nos motivou até mais", desabafou. "Tenho respeito, e sei que os alemães nos respeitam, porque jogamos com seriedade." Dida também se aborreceu com o chileno Chandía. O goleiro admitiu que o árbitro tentou desestabilizar o Brasil, com o pênalti e com o cartão amarelo para Roque Júnior logo no começo da partida. "Não adiantou nada, porque soubemos manter a tranqüilidade, mesmo tendo errado passes", disse. "O juiz agora é passado e só penso em ser campeão." Desejo que estimula também Zé Roberto. O meia do Bayern de Munique admitiu que o time se sentiu pressionado, por causa das críticas que vieram com a derrota para o México e com o empate com o Japão. Por isso, a alegria foi maior, com os 3 a 2 sobre os anfitriões da Copa das Confederações. "Muita gente achou que não tínhamos condições de bater a Alemanha", lembrou. "Acharam que estávamos jogando mal. Isso nos motivou e mostramos que somos experientes e inteligentes." Inteligente foi Robinho, mais uma vez, ao driblar perguntas a respeito de seu futuro. O astro do Santos, de saída para o Real Madrid, pela enésima vez desconversou, quando lhe perguntaram se se muda logo para a Espanha. "Agora, só quero saber de seleção", repetiu, com sorriso maroto, de quem tem a frase feita de propósito. "Meu desejo é ser campeão deste torneio. Não penso em mais nada."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.