Seleção fez coletivo "invisível" no Rio

Um intenso nevoeiro atrapalhou o coletivo mais atípico da história recente da Seleção Brasileira. Silhuetas à distância impediam a identificação dos atletas que vestiam coletes azuis e dos que usavam o de cor alaranjada. Pouco antes de o treino começar, na Granja Comary, o técnico Carlos Alberto Parreira e seu assistente Jairo Leal praticamente desapareceram no centro do gramado. O mais inusitado, porém, foi ver em ação entre os reservas uma equipe formada pelos pentacampeões mundiais Ronaldo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos e Cafu.Eles não foram relacionados para a partida de domingo, contra a Bolívia em La Paz. O coletivo terminou com a vitória por 2 a 0 do time já confirmado para enfrentar o último colocado das eliminatórias do Mundial. Juninho Pernambucano e Robinho fizeram os gols. A atividade pode ter servido como uma pista de que há uma leve preferência do técnico por Ricardinho e Gilberto, que iniciaram o treino como titulares. Eles estão numa disputa direta de vagas para o Mundial com Alex e Gustavo Nery, aproveitados no time azul nos 30 minutos finais do coletivo.Parreira também trocou, durante a movimentação, Renato por Júlio Baptista, e disse que vai fazer três alterações no decorrer da partida contra a Bolívia, dando a entender que gostaria de repetir as efetuadas nesta sexta. ?Vai ser um jogo para observações.? O treino sofreu atraso de quase uma hora. Parreira já havia decidido realizar um trabalho técnico, ao perceber que o nevoeiro demoraria a deixar a concentração da seleção. Aos poucos, a visibilidade melhorou e ele então voltou atrás. Mas logo no início do coletivo, a névoa mudou de rumo e ocupou toda a área da Granja Comary.Mesmo assim, a bola continuou rolando. E então começaram as jogadas que provocavam risadas dos torcedores. Num lance de contra-ataque, Adriano pediu que Juninho lhe acionasse. ?Vai Juninho, dá, dá.? O meia até ouviu o apelo do colega, mas parecia não enxergá-lo. Demorou a dar o passe e perdeu a oportunidade. Depois, Juninho admitiu a dificuldade. ?Eu ouvia a voz dele, mas não via.?Robinho, um dos mais acionados, chegou a dar um chute em vão, errando o ?tempo da bola?. No time reserva, o goleiro era Gomes. Mas um repórter de uma emissora de TV européia só descobriu isso na metade do coletivo. Teve até quem tentasse uma tabela com Parreira, como o zagueiro Luisão. O técnico foi rápido. ?Não estou jogando.? Adriano, sem marcação, chutou a bola na trave. Robinho também. Do outro lado do campo, Zagallo só era notado por quem estava a seu lado.Ele teve bom humor para comentar o clima que cercou o coletivo. ?Foi um treino invisível.? Invisível ou secreto, outra definição de Zagallo, o coletivo teve muitos passes errados e finalizações ruins. Numa cobrança de escanteio, vários jogadores puxaram a camisa ou o calção dos adversários, mas Parreira, de longe, com o apito nas mãos, não assinalou a falta.No final de 57 minutos de atividade, apenas uma certeza: o time misto do Brasil para enfrentar a Bolívia terá somente um verdadeiro titular: Adriano. ?Queria saber qual a opinião dos comentaristas sobre o coletivo. Eles não viram nada?, comentou Zagallo.

Agencia Estado,

07 de outubro de 2005 | 20h15

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