Seleção: Hong Kong a espera tranqüila

A seleção brasileira chega nesta segunda-feira a Hong Kong com o rótulo de atual campeã do mundo, com o privilégio de contar com o melhor jogador do planeta na última temporada, Ronaldinho Gaúcho, segundo eleição da Fifa, e com a fama de ser, de longe, a número 1 do futebol. Mesmo com todos esses atrativos, não conseguiu entusiasmar os hong-kongoneses, que pouco falam da equipe brasileira. Quem anda pela ilha da Ásia não encontra nenhuma propaganda do amistoso de quarta-feira, entre Brasil e seleção de Hong Kong, às 7 horas, de Brasília. As tevês e os jornais dão pouco destaque para a partida e os torcedores não se amontoam para comprar ingressos. Pelo contrário, até sexta-feira, ainda havia cerca de 16 mil entradas disponíveis para o público, de um total de 40 mil.A ausência de Ronaldo esfria ainda mais o ânimo das pessoas, que têm pouco contato com o futebol do Brasil. O interesse maior é pelas ligas européias, principalmente a Inglesa. E o grande astro é David Beckham, atualmente no Real Madrid. É extremamente comum deparar-se nas ruas da ilha, sempre muito povoadas, com chineses vestindo a camisa do ídolo da Inglaterra. Até agora, embora sejam muito respeitados, os brasileiros ainda não conquistaram essa parte do mundo.O empate por 0 a 0 contra a China, no ano retrasado, em confronto de baixíssimo nível técnico, contribuiu para tal situação. É por isso, também, que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) acha interessante participar de eventos como o de quarta-feira. O mercado asiático, em crescimento, tem bastante espaço a ser explorado.A Associação de Futebol de Hong Kong temia que a procura por ingressos fosse um caos, já alertada pelos problemas do ano anterior, em que milhares de pessoas chegaram a passar a madrugada à frente das bilheterias para poder ver o Real Madrid em ação. Procurando evitar novos transtornos, a entidade mudou o sistema para o amistoso com o Brasil e fez a distribuição via internet. Os torcedores se inscreviam e apenas os sorteados ganhavam o direito de comprar as entradas. O esquema não deu certo e as bilheterias voltaram a ser utilizadas.De qualquer maneira, a expectativa é de que o Hong Kong Stadium esteja lotado na quarta-feira. A própria Associação, que atraiu diversos patrocinadores para o espetáculo, não deverá permitir que sobrem bilhetes, facilitando a compra de quem tiver interesse. O preço dos ingressos é salgado e varia entre US$ 70 e US$ 200 (com exceção dos bilhetes de estudantes).O jogo é um dos principais eventos das festividades pelo novo ano chinês, que começa justamente na quarta-feira. Sai o Ano do Macaco para a entrada do Ano do Galo. O feriado, considerado o mais importante do país, é comemorado com uma série de atrações, como desfiles e queimas de fogos. Esta semana de trabalho na China só irá até esta terça-feira. Muitas lojas fecham suas portas, algo raríssimo em Hong Kong, considerada oficialmente a Região Administrativa Especial da China.Recepção de luxo - Os organizadores se preparam para tratar os brasileiros como verdadeiras celebridades, desde a chegada da delegação, prevista para as 11h30, até a despedida, na quinta-feira. O elenco ficará hospedado num dos melhores hotéis de Hong Kong, o Harbour Plaza, e será mantido afastado do público. No próprio Harbour Plaza, os funcionários não confirmam que o hotel irá hospedar o Brasil para evitar a presença de fãs e curiosos. Os jogadores serão recepcionados, em seus quartos, com uma cesta de frutas e chocolates sortidos. Pelo amistoso, a Ambev, uma das patrocinadoras da seleção, receberá US$ 1 milhão.

Agencia Estado,

06 de fevereiro de 2005 | 22h54

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.