Seleção: preço afugenta o torcedor

O preço alto do ingresso para o jogo deste domingo do Brasil contra o Chile pelas eliminatórias da Copa do Mundo foi a grande reclamação do cidadão brasiliense, que em média tem uma das rendas mais altas do País, contra a organização da partida que pode garantir antecipadamente a vaga do Brasil na Copa do Mundo de 2006. O resultado dos altos valores fixados para entrar no estádio Mané Garrincha foi que, apesar de ser um evento raro em Brasília e do qual a maioria dos cidadãos gostaria de participar, até a noite de sexta-feira ainda restavam aproximadamente 3,5 mil - todos da geral, que saíam por R$ 70 a inteira e R$ 35 a meia entrada - dos 40 mil ingressos colocados à venda. Enquanto o preço do ingresso inibia a procura para o jogo da Seleção,outro evento permitiria à população driblar as dificuldades financeiras ever em campo o time das estrelas Robinho, Ronaldo, Kaká e Adriano: otreino comandado pelo técnico Carlos Alberto Parreira. Desde às 10h deste sábado, as bilheterias do Mané Garrincha trocavam um par de tênis e umquilo de alimento não perecível por um ingresso para o treino daseleção que ocorreria às 16 horas. Foram colocados 25 mil ingressos dageral à disposição. "Eu não vou no jogo por causa do preço alto do ingresso. Masver a seleção em campo é uma oportunidade única, por isso vou assistirao treino. Quero ver o Parreira trabalhando", disse o torcedor EmersonFerreira de Carvalho, que logo na abertura da bilheteria já garantiasua entrada para a tarde de sábado. A organização da partida admite que os preços dos ingressos (que nolugar mais caro chegava a R$ 300) foram elevados, mas considerou que anatureza atípica do evento e da cidade influenciaram na definição dosvalores, além do fato de a maioria dos ingressos ser vendida como meiaentrada. Segundo a Federação Brasiliense de Futebol, a abertura dotreino não teve a intenção de aumentar o leque de espectadores do timede Parreira, mas sim um objetivo social. "A Federação Brasiliense e aSecretaria de Esportes e Lazer têm várias escolinhas de futebol, ondemuitas crianças jogam descalças. Por isso, pedimos o par de tênis e oquilo de alimento para as famílias carentes. Nossa intenção éessencialmente social", afirmou Fábio Simão, presidente da FederaçãoBrasiliense. Mesmo com a aquisição do ingresso sendo feita por meio de doações,houve quem conseguisse ganhar um dinheiro extra com o treino do sábado.Robson Ricardo, que se apresentou como Robinho, achou que não valia apena trabalhar como cambista para o jogo porque o preço normal já eramuito alto, mas logo na abertura da troca de ingressos para o treinovendia pacotes de um quilo de farinha de mandioca por R$ 3,00 para quemqueria pegar um ingresso e não tinha levado o quilo de alimentoexigido. Mas entre todos os que torcem e trabalham para ganhar dinheirocom o jogo da seleção, o vendedor Rodrigo de Paiva Ribeiro, que saiu deSão Paulo especialmente para isso, tem uma torcida muito diferente: elequer que chova. E muito. Mas durante a partida. Motivo: o vendedortrouxe alguns pacotes de capas de chuva para vender dentro do ManéGarrincha. Torcida difícil, pois chover em Brasília nessa época do anoé quase tão raro quanto jogo da seleção na capital da País.

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