Seleção quer privacidade na Alemanha

A seleção brasileira optou pela privacidade na chegada à Alemanha. A comissão técnica decidiu deixar os jogadores em um hotel afastado de Leverkusen e fechado para outros hóspedes. Ao contrário do que estava anteriormente previsto, a delegação retirou-se para um local nas redondezas da cidade em que faz sua primeira parada na Copa das Confederações e abandonou a proposta inicial de ficar no Bay Arena, construído como anexo do estádio do Bayer. A alegação é a de que o grupo terá mais tempo para refazer-se do desgaste da viagem realizada menos de dois dias depois do retorno de Buenos Aires. A escolha do hotel Lerbach é um indício do que pode ocorrer no ano que vem durante a Copa do Mundo. No torneio de 2002, o técnico Luiz Felipe Scolari não se incomodou de ver seus atletas dividindo hotéis com turistas comuns, nas constantes andanças pela Coréia do Sul e pelo Japão. Já Carlos Alberto Parreira não encara com muita simpatia essa proximidade. Ele prefere o sistema tradicional de grandes competições, segundo o qual a seleção tem sempre uma concentração específica e exclusiva. Portanto, longe de olhares curiosos, de interferências às vezes inoportunas. O que, afinal, é comum entre a maioria das equipes. O Lerbach, onde o Brasil fica em princípio até a noite de terça-feira, está a 25 km de Leverkusen, na cidadezinha de Bergisch Gladbach, cercada de montes floridos. O prédio lembra um velho castelo europeu, desses que se vêem a cada curva de estrada e no alto de morros em todo o continente. Com muito verde, transmite calma e cria atmosfera de recolhimento. Além disso, o cansaço e o vento frio de fim de tarde fizeram com que os jogadores preferissem mesmo o silêncio ao contato com os torcedores. O que seria inevitável no Bay Arena. O Brasil chegou em duas levas, no começo da tarde deste sábado em Frankfurt. A primeira, e maior, veio de São Paulo. O preparador físico Moraci Sant?anna embarcou com grande parte dos convocados, entre quais Robinho, Ronaldinho Gaúcho, Marcos, Renato, Edu, os novatos Léo e Cicinho. Outro grupo, incluindo Parreira e o restante da comissão técnica, saiu do Rio, com atraso de quase uma hora. No desembarque começou a fase de testes para os alemães. Os campeões do mundo tiveram liberação quase que imediata no aeroporto e tomaram um ônibus, fretado pela Fifa, que os levou a Leverkusen. O sistema de deslocamentos, nas próximas semanas, estará sempre sob responsabilidade da Fifa. A programação da seleção, no entanto, pode sofrer mais alterações porque há previsão, por exemplo, de o grupo ficar em "hotel aberto", em Leipzig, local da estréia na Copa das Confederações, na próxima quinta-feira, contra a Grécia. Parreira estuda a manutenção do esquema de clausura.

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