Seleção: Scolari é o preferido da CBF

Luiz Felipe Scolari volta a ser o principal nome da Confederação Brasileira de Futebol para a possível substituição de Émerson Leão no comando da seleção. O treinador do Cruzeiro é o que mais agrada à entidade, embora Carlos Alberto Parreira e Zagallo tenham simpatizantes na cúpula da diretoria. Wanderley Luxemburgo também conta com lobby razoável.O processo de "fritura" de Leão continua, independentemente da derrapada diante da França, ontem, na Coréia do Sul. A CBF mostra indisfarçável má vontade e impaciência com o técnico, ao contrário do que ocorreu com seus antecessores. Os cartolas também não têm feito questão de desafiar os clubes nas últimas convocações. Para piorar, o presidente Ricardo Teixeira chegou a declarar, após a derrota para o Equador, nas Eliminatórias, que o futebol da seleção estava "uma porcaria".Por isso, por trás de reiteradas manifestações oficiais de apoio a Leão e Antônio Lopes, há negociações nos bastidores. Scolari é, novamente, o preferido, como já havia ocorrido após a demissão de Luxemburgo. Desta vez, porém, o técnico gaúcho não afasta a possibilidade de aceitar convite, que já lhe foi feito, de maneira informal. Por estratégia, também não se lança candidato, ao contrário de seu colega do Corinthians.As exigências de Scolari continuam as mesmas dos contatos realizados em outubro. A mais importante é a de que não abre mão de ter liberdade de formar a comissão técnica com os nomes que desejar. "Seja no Cruzeiro, na seleção ou em qualquer outro lugar do mundo, só trabalho com quem confio", afirmou, duas semanas atrás. "Pode ser o emprego mais maravilhoso, mas não me atrai se não estiver rodeado de pessoas que conheço e das quais gosto."Scolari foi "sondado" pela CBF, para usar a gíria futebolística, mas também fez as suas especulações. Duas semanas atrás, quando o Cruzeiro veio a São Paulo jogar com o Palmeiras pela Copa Libertadores da América, aproveitou para entrar em contato com ex-colaboradores paulistas. Não houve convite, mas quis saber se alguns profissionais que admira estariam dispostos a ajudá-lo na aventura da seleção. O mesmo tipo de conversa já teve com gente ligada ao Grêmio."Houve contatos, mas são muitos os fatores que devem ser levados em conta", garante um profissional ligado a Scolari que prefere manter o benefício do anonimato. Mas não esconde que o futuro de Leão depende do resultado do clássico com o Uruguai, dia 1º de julho, pelas Eliminatórias. "O consenso é de que haverá mudanças, se o Brasil não vencer", adianta.O treinador do Cruzeiro tem contra si o temperamento explosivo, que em algumas ocasiões beira à rudeza. Também se fala que lhe falta cintura para o jogo político. Nesse aspecto, Parreira é insuperável, além de ter conquistado o título mundial, em 94, nos Estados Unidos. Zagallo é nome "eternamente" ligado à CBF. Luxemburgo tem a seu favor o trabalho rápido para reerguer o Corinthians. E é admirado por Ricardo Teixeira, que gostaria de tê-lo de volta. Mas pesam os resultados insatisfatórios na seleção - incluída a Olímpica - e vários episódios em sua vida pessoal ainda mal explicados.O silêncio, de qualquer modo, é a estratégia de todos os envolvidos. A CBF diz que não há nada a dizer, por enquanto. Scolari nem atende ao celular e oficialmente está descansando, depois da desclassificação na Libertadores. Mas manteve reuniões com representantes da Hicks & Muse, fundo que administra o futebol do Corinthians e do Cruzeiro. O clube mineiro igualmente garante desconhecer o assunto, embora o presidente Zezé Perrella tenha dito que não poderia "fazer nada", se houvesse o convite da CBF.Nesse imbróglio todo, um fato é inegável: a CBF mal tolera Leão. O que é um desrespeito. Então, por que foi o escolhido?

Agencia Estado,

08 de junho de 2001 | 00h39

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