Nilton Fukuda/Estadão
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Seleção sem carisma

Com mais vontade e interesse, CBF tem como reaproximar o time de Tite do torcedor

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2019 | 04h00

A CBF tem um grande desafio: fazer com que a seleção brasileira recupere seu carisma. Ninguém, ou poucos, se interessa pelos jogos do Brasil hoje. O time de Tite faz duas partidas nesta semana, na quinta-feira, dia 10, contra Senegal, e depois dia 13, domingo, diante da Nigéria. Dois rivais africanos. Os jogos serão em Cingapura. A equipe nacional, única pentacampeã do mundo, faz muito dinheiro para os cofres da entidade, mas não tem seguidores. Não tem mais torcedores apaixonados que correm atrás da equipe e de seus bons jogadores.

Daí a necessidade de mudar isso. Sou do tempo em que parávamos tudo para ver o Brasil jogar. Esse sentimento não existe mais. Pudera. Outro dia mesmo, a seleção entrou em campo meia-noite. Era um dia de semana. Nesta quinta-feira, a partida contra Senegal está marcada para as 9h de Brasília.

Há, portanto, boas razões que fazem o encanto com o time se perder ou esfriar. Cabe então à CBF, ao novo presidente Rogério Caboclo, mudar esse cenário, claro, se for do interesse da entidade. Não sei se é. É possível, por exemplo, ganhar dinheiro com a seleção sem vendê-la ao Diabo, como fizeram os antecessores do atual dirigente.

Há um contrato em vigor que tira o time da gestão da CBF. Esse contrato precisa ser revisto, mesmo pagando multas. O Brasil, pelas mãos da CBF, deve retomar o comando da seleção. Pode ainda exigir adversários mais interessantes e respeitados no cenário internacional. Ora, não dá mais para engolir as desculpas esfarrapadas de Tite e sua comissão técnica de que ninguém quer enfrentar o Brasil. Não cola mais. A Argentina, por exemplo, vai encarar a Alemanha quarta-feira. Ora, se os ‘hermanos’ conseguem, por que os brasileiros não? Tite garante já ter pedido jogos diante de rivais europeus, de mais tradição e que têm nos eliminado de Copa dos Mundo. Tem então de parar de pedir e exigir. Com grandes partidas, de tradição, o torcedor vai voltar.

Outro ponto importante é contar com jogadores dos times do Brasil, principalmente agora que há bons jogadores no futebol brasileiro. Tite tem chamado alguns deles, mas tem também sido criticado por desfalcar as equipes. Desta vez, entre outros, ele levou dois do Flamengo (Rodrigo Caio e Gabigol) e dois do Grêmio (Cebolinha e Matheus Henrique). O problema não é chamar atletas que atuam no País. O torcedor, de modo geral, gosta de ver na seleção jogadores do seu time. Isso dá um certo prazer.

O que não pode mais é ter jogos no Brasil quando a seleção está em campo. O calendário nacional e continental (Libertadores e Sul-Americana) tem de parar. Isso só depende da CBF.

Há ainda uma terceira frente capaz de melhorar a relação da seleção com o torcedor. Sua proximidade com as pessoas. Em nome de tempo e paz para treinar, os jogadores são escondidos do público. Treinam em treinos fechados, não param para atender os cada vez menos apaixonados que se prestam a dar plantão nos hotéis, atrás de migalhas, de um aceno ou autógrafo. Isso também está diretamente ligado a determinações da CBF. Se não está, deveria. O elenco tinha a obrigação de parar meia hora para atender ao torcedor da melhor e mais respeitada forma possível.

Por fim, uma vez recuperado o controle da agenda, a CBF poderia mostrar mais o Brasil dentro do Brasil. Ficar menos isolado em Teresópolis e correr o País em caravana. Cairia bem. O maior trunfo do Brasil são seus próprios jogadores. Gostamos deles quando atuam na Europa, mas não temos o mesmo apreço quando vestem a amarelinha da seleção. Contra Senegal, Neymar vai completar 100 jogos no Brasil. Tem 61 gols e ocupa a quarta marca na lista dos artilheiros do time em toda a história, atrás de lendas como Pelé (95 gols), Ronaldo (67) e Zico (66).

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