Seleção sofre com o idioma no Japão

A dificuldade em compreender a língua japonesa não chega a ser um problema para os 23 jogadores da seleção brasileira inscritos para a Copa das Confederações. Mas cria situações engraçadas. O atacante Magno Alves, do Fluminense, pediu outro dia ao garçom de um restaurante, em Tóquio, um limão para pôr umas gotinhas num peixe grelhado. Ficou satisfeito quando o maître conferiu se queria mesmo "lemon". Recebeu, minutos depois, uma jarra com mais de um litro do sumo da fruta, com pedrinhas de gelo. "Minha reação foi rir muito." A delegação tem à disposição três intérpretes, mas eles nem sempre podem evitar as pequenas confusões por causa do idioma. Júlio Batista, do São Paulo, tem uma boa noção de inglês. E utilizou seus recursos para solicitar à recepção do Aton Palace Hotel, em Kashima, uma ligação para o quarto de outro jogador. Pensou que estava tudo resolvido e, enquanto esperava o telefone tocar, um atendente do hotel subiu para seu quarto, certo de que Júlio reclamara de algum defeito na linha ou no aparelho. A maioria dos 23 jogadores nunca esteve no Japão e desconhece totalmente a língua do país. Como por exemplo, Washington, da Ponte Preta. No único dia de folga em Tóquio, ele saiu com seus colegas para fazer compras em Akihabara, o bairro-paraíso dos eletro-eletrônicos. Parou diante da vitrine de uma loja de souvenirs e encantou-se com algumas bonecas em miniatura. Queria levá-las para a namorada, em São Paulo. Na presença do vendedor, apontou com o dedo indicador para a mais bonita, a que vestia trajes típicos do Japão. O atencioso rapaz entendeu que o cliente apenas elogiava as feições orientais da boneca e balançou a cabeça como se estivesse concordando com a observação. Felizmente para Washington e sua namorada, havia um funcionário brasileiro na loja. Tudo acabou esclarecido. "A única coisa que sei falar aqui é "arigatô" (obrigado)", contou Washington. O goleiro Carlos Germano, da Portuguesa, também visitou Akihabara, mas não se arriscou. "Só olhei os produtos, se tivesse de comprá-los, seria difícil pagar e explicar o que queria." Entre os mais precavidos, há quem ponha em prática um segredo infalível para lidar com os japoneses nesta excursão. O meia Fábio Rochemback, do Internacional, ensina como se deve reagir a uma abordagem no hotel ou nos locais de treinos e jogos. "É simples, basta abaixar a cabeça, em sinal de respeito, quando falam algo; aí a situação fica sob controle."

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