Seleção sofre desvalorização de 60%

A seleção brasileira de futebol está se tornando um produto cada vez menos lucrativo. A constatação é feita considerando-se as cotas recebidas pelos amistosos negociados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Nos últimos sete anos, houve uma queda de 60% no valor. A escassez de astros, os escândalos e a campanha irregular nas eliminatórias contribuíram para um quadro que nem mesmo o primeiro lugar no ranking da Fifa tem ajudado a reverter.Logo após a conquista do tetracampeonato mundial nos Estados Unidos, em 1994, auge da valorização do time, a CBF chegou a cobrar até US$ 1 milhão por partida. Em fevereiro do ano passado, foi realizado um amistoso na Tailândia (vitória brasileira por 7 a 0), pelo qual a CBF recebeu US$ 350 mil. Mas há um detalhe: como o País estava em campanha para ser a sede da Copa de 2006 e precisava persuadir dirigentes tailandeses a apoiarem a candidatura, fechou o acordo pela metade do valor normal, de US$ 700 mil.A situação piorou este ano. No dia 8 de março, a seleção enfrentou o México, em Guadalajara (empate por 3 a 3). Por esse jogo, a CBF embolsou US$ 400 mil, o que representa apenas 40% do valor comercializado há quase sete anos. Já os amistosos marcados pela Nike, direito previsto no contrato com a multinacional, mantêm um valor fixo de US$ 500 mil."Essa queda era previsível. A imagem da seleção sofreu muito desgaste nos últimos anos", afirma o consultor José Roberto Martins, da GlobalBrands, empresa que presta serviço a diversos clubes brasileiros. "A única estrela da atual seleção brasileira é o Romário, e que já está dobrando o cabo da boa esperança", completa Martins.O interesse do torcedor brasileiro pela seleção também parece estar em queda. No dia 26 de abril do ano passado, uma quarta-feira, exatamente há um ano, a Rede Globo conseguiu audiência média de 41 pontos no jogo Brasil 3 x 2 Equador. O jogo de volta pelas eliminatórias, vencido pelos equatorianos por 1 a 0, no último dia 28 de março, também uma quarta-feira, teve 33 pontos de audiência em média.Tendência negativa - Se for considerado que nas partidas contra México e Tailândia a seleção brasileira exibiu-se com sua ?força máxima?, ou seja, com a presença de jogadores conhecidos de renome como Rivaldo, Roberto Carlos e Romário, a filosofia do técnico Leão, de priorizar jogadores que atuam em clubes brasileiros, tende a reduzir ainda mais o poder de barganha da CBF.O atual grupo é formado por muitos atletas ainda desconhecidos no exterior, casos de Leomar, Alessandro e Ewerthon. Como boa parte do interesse em contratar a seleção brasileira concentra-se em poder assistir às exibições individuais de astros do futebol mundial, parte dessa motivação e, conseqüentemente, do preço cobrado, tendem a ser reduzidos ainda mais.O lugar deixado pelo Brasil como seleção mais valorizada do mundo corre o risco de ser ocupada por seu mais tradicional adversário: a Argentina. Segundo dados extra-oficiais, os argentinos estariam sobrando US$ 700 mil por amistoso. A classificação do Brasil para a Copa e a proximidade do Mundial, no entanto, tenderiam a revalorizar a seleção nos próximos meses, na opinião de consultores. "O produto Brasil ainda é forte e sua credibilidade só será arranhada se ficar fora da Copa", acredita João Henrique Areias, da Sportlink.Seleção sofre desvalorização de 60%

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