Seleção Sub-23 encara estrutura precária

A seleção brasileira Sub-23 precisou de poucas horas para perceber que as condições de trabalho e hospedagem no Chile estão muito distantes do ideal. Hotel modesto, alimentação de baixa qualidade, campo de treinamento ruim e vestiário precário são alguns dos contratempos que a equipe já encontrou pelo caminho no início da última etapa de preparação para o Pré-Olímpico - e as informações sobre as condições do estádio Municipal, onde será o jogo de estréia, quarta-feira, contra a Venezuela, não são muito animadoras. Mas o técnico Ricardo Gomes está usando essas dificuldades como um desafio a mais que os jogadores terão de superar, com união e determinação, na luta por uma das duas vagas para os Jogos de Atenas."Não sou muito de conversar no vestiário, mas senti necessidade de falar com a molecada antes do treino desta manhã. Disse a eles que as condições não são as melhores mesmo, que a seleção brasileira merece sempre o melhor, mas que, diante das circunstâncias, é o melhor possível?, afirmou o treinador. ?A gente se aperta no vestiário, esquenta a água no sopro, mas não podemos deixar que esses problemas nos afastem de nosso objetivo. O mais importante é que temos um grupo de qualidade, capaz de superar tudo para conseguir a classificação." Os treinos são realizados no CT do Deportivo Huachipato, um clube da primeira divisão chilena que fica na cidade de Talcahuano, colada em Concepción. Quando a seleção chegou ao local na manhã deste sábado, a comissão técnica teve um choque: os dois campos principais estavam em obras e o único de grama disponível (há também três campos de terra) é de dimensões muito reduzidas, mede 65 metros de comprimento por 42 metros de largura. "Treinamos num campo de futebol society", brincou o atacante Robinho.Por pressão da comissão técnica e do administrador da CBF, Guilherme Ribeiro, o clube cortou a grama do campo do estádio a toque de caixa para que a seleção pudesse treinar ali a partir deste domingo. Afinal, sem um campo de medidas oficiais, o técnico Ricardo Gomes não poderia realizar coletivos - haverá um amanhã à tarde e outro na segunda-feira.Inicialmente, a informação do clube era de que todos os treinos do Brasil ao longo da semana seriam no campo pequeno. Mas, diante da correria para liberar o gramado, ficou estabelecido que a seleção brasileira só poderá fazer um treino por dia ali - o da manhã de domingo será no ´campo de society´."Quando estive aqui em outubro, me avisaram que os campos seriam reformados no final da temporada e tudo estaria pronto quando chegássemos. Não foi assim, mas vai dar tudo certo", disse Guilherme Ribeiro. "E podem ter certeza de que os locais de treinamento das outras seleções são muito piores."O Huachipato não está recebendo nada da CBF nem do Comitê Organizador do Pré-Olímpico para ceder suas instalações. "É uma honra receber o Brasil. Achamos importante colaborar para o sucesso do evento", afirmou Felipe Cereceda, chefe de relações públicas do clube.O hotel da delegação brasileira, no centro de Concepción, é muito abaixo do "padrão seleção". Não há ar-condicionado nos quartos e a comida é criticada pelos jogadores. "O bife é meio sem-vergonha", comentou um titular do time. "Realmente a cozinha do hotel deixa a desejar e não temos a privacidade que gostaríamos, mas não vai ser por isso que deixaremos de fazer o nosso trabalho da melhor maneira possível", revelou Ricardo Gomes.A rua em que fica o hotel é tão estreita que o ônibus da seleção não consegue fazer a curva para estacionar na frente da portaria. O jeito é parar na esquina e a delegação toda atravessar a rua. Quando isso ocorre, o trânsito pára até que o ônibus vá embora. "Íamos ficar no melhor hotel da cidade, mas não pudemos porque foi requisitado pela seleção chilena", contou Guilherme Ribeiro.E a situação não vai ser muito diferente em Viña del Mar, onde acontecerá a segunda fase do Pré-Olímpico. "O hotel de lá é mais modesto que o daqui", avisou o administrador da CBF que acompanha a seleção no Chile.

Agencia Estado,

03 de janeiro de 2004 | 18h50

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.