Seleção Sub-23 sem medo da repescagem

O objetivo da seleção brasileira é ficar em primeiro lugar nesta fase para garantir a vaga no quadrangular final e ganhar seis dias de descanso - a primeira rodada está marcada para o dia 21, em Valparaíso - mas o técnico Ricardo Gomes e os jogadores garantem que não têm medo da repescagem. "Se tivermos de jogar domingo, vamos jogar tranqüilamente. Tenho plena confiança de que vamos disputar o quadrangular", afirmou o treinador.Caso fique em segundo ou terceiro na chave, o Brasil terá de fazer domingo um jogo de vida ou morte contra uma equipe do grupo que está jogando em La Serena, com direito a disputa por pênaltis se houver empate nos 90 minutos. Mas o caráter eliminatório dessa partida não assusta Ricardo Gomes. "Tudo bem, as partidas do quadrangular não serão eliminatórias. Mas experimente perder na primeira rodada para ver o efeito. O astral vai lá para baixo e ficará muito difícil conseguir a recuperação. Já falei para os garotos: de quinta-feira em diante, todos os jogos serão decisivos. E não podemos ter medo de jogar."Além de apostar na qualidade do seu time, Ricardo também confia muito na maturidade dos meninos. Cinco deles (Adaílton, Dudu Cearense, Nilmar, Dagoberto e Daniel Carvalho) participaram da recente conquista do Mundial Sub-20 e ajudaram o time a sair de um buraco depois da inesperada derrota para a Austrália na última rodada da primeira fase, cinco (Alex, Paulo Almeida, Elano, Diego e Robinho) chegaram com o Santos à final da Libertadores em 2003 e ajudaram o time a sair da fila com a conquista do Brasileiro de 2002, quatro (Gomes, Maicon, Edu Dracena e Wendell) ganharam tudo pelo Cruzeiro ano passado e dois (Maxwell e Fábio Rochemback) jogam na Europa e estão acostumados a grandes desafios.Ricardo elogia a maturidade dos jogadores desde a Copa Ouro. Naquele torneio, ele considerou a vitória na morte súbita contra os Estados Unidos na semifinal - Kaká havia empatado a partida aos 43 minutos do segundo tempo - como uma demonstração de que esta geração não se intimida com nada.Diego também pensa como o treinador. Para ele, jogar a repescagem não será nenhum bicho de sete cabeças. "Só dependemos de nossa capacidade para ficar em primeiro lugar na chave, mas se tivermos de jogar a repescagem não tem problema. Será apenas um jogo a mais em nosso caminho para garantir a vaga na Olimpíada."Pela TV - Ricardo tem acompanhado pela tevê os jogos da chave de La Serena. E destaca o equilíbrio entre as equipes. "Está tudo muito parelho, a distância entre as seleções é cada vez menor. A Bolívia já está fora, mas deu trabalho para a Argentina e mostrou jogadores interessantes. O que está acontecendo aqui é reflexo do que se vê nas eliminatórias, em que até a Venezuela tem conseguido bons resultados recentemente. As competições entre seleções aqui na América do Sul estão ficando cada vez mais difíceis."O treinador não se ilude com o baixo rendimento mostrado pela Argentina em suas duas primeiras partidas - empate sem gols com o Peru e vitória de virada sobre a Bolívia por 2 a 1. "A Argentina é muito forte, podem ter certeza. O campo em que eles estão jogando é muito ruim e isso está atrapalhando, mas no quadrangular serão um adversário duríssimo."

Agencia Estado,

13 de janeiro de 2004 | 16h18

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