Rafael Ribeiro|CBF
Manoelzinho e Ratinho cuidam dos uniformes da seleção brasileira Rafael Ribeiro|CBF

Seleção usa quase três toneladas de equipamentos

Logística de treinamento mobiliza 22 profissionais

ALMIR LEITE E GONÇALO JÚNIOR, ENVIADOS ESPECIAIS A DENVER

28 de maio de 2016 | 17h00

Duas horas após o fim do treino da tarde da seleção brasileira na terça-feira, quase às 21 horas, um caminhão estaciona em frente ao hotel da concentração em Los Angeles. Os massagistas Marquinhos e Serginho e os roupeiros Ratinho e Manoel descarregam vários baús de metal. Pelas caretas que fazem, são pesados. Não é para menos. Na Copa América, são quase três toneladas de equipamentos, entre uniformes, bolas, alimentos, tudo o que uma equipe precisa para treinar. 

É um trabalho quase invisível. Uma equipe de 22 pessoas, formada por roupeiros, massagistas, seguranças, assessores de comunicação e administradores logísticos, cozinheiros, chefs de cozinha, atua nos bastidores só para fazer a seleção brasileira entrar em campo.

 

O trabalho é técnico, mas dá uma cara para a seleção. Por exemplo, a cúpula da CBF quer aproximar os jogadores dos torcedores. Por isso, definiu a saída do grupo pelo saguão em todos os hotéis, evitando entradas exclusivas, sem acesso público. Com isso, a segurança tem de se virar para fazer dar certo. Na Copa América, são sete seguranças fixos, além de uma empresa terceirizada e a força pública. "Nunca tivemos problemas sérios", diz Aloísio Oliveira, chefe de segurança. 

A comissão técnica avaliou também que os grandes hotéis dificultavam a integração entre os jogadores nos períodos de concentração. Aí, a equipe de logística foi buscar o Hotel Belamar, aconchegante, estiloso, mas pequeno, com apenas 127 quartos – os jogadores têm andares exclusivos.  Como roupeiros e massagistas são cedidos pelos clubes e não fazem parte do grupo de funcionários, eles recebem uma cartão de convocação. Tudo isso é motivo de orgulho. 

Quando Serginho, massagista do Palmeiras, fez sua primeira viagem com a seleção, para Miami, em partida contra a Colômbia, ele pediu para ser beliscado por Gilmar Rinaldi, coordenador de seleções. Queria acreditar que aquilo era verdade e que ele não estava sonhando. Manoel, roupeiro do Fluminense, pensou que fosse um trote quando recebeu uma ligação de Gilmar. Por pouco recusou-se a atender o telefone. 

As atividades são feitas de acordo com um protocolo com tudo o que tem de ser feito, hora a hora. Cada área tem uma check-list de mais ou menos 40 itens. Um atraso pode representar uma reação em cadeia. "Se muda o horário do treino, muda também o horário da refeição. Aí é preciso consultar o médico e a nutricionista, além do chefe (Gilmar Rinaldi), o preparador físico e treinador", afirma o administrador Luis Vagner Vivian. "A gente faz check-list em cima de check-list, planejando e confirmando para ver se tudo certo", completa. 

Antes de os jogadores se apresentarem, eles olham os mínimos detalhes, como adaptador de tomada, senha da internet, chave da porta e a segurança inspeciona andares e os quartos. Quando o jogador chega, a roupa dele está lá, no pé da cama, no tamanho certo, com a programação das atividades e até o tipo de uniforme que será usado.

Na Copa América, eles estão comendo as refeições do hotel sob a supervisão do chef da seleção. O cardápio foi previamente montado pela nutricionista e pelo médico da equipe.  "O resultado final da partida define o trabalho. Se o time perder, a gente sente como se alguma coisa não tivesse sido bem-feita", diz Luis Vagner.

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Plano de voo da CBF inicia um mês antes da convocação

Mapeamento preliminar é feito sem contato com os atletas

Almir Leite e Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2016 | 17h00

Um dos maiores desafios dos administradores logísticos da CBF é preparar os planos de voos para os jogadores convocados. Um mês antes do anúncio, a equipe começa a bloquear os voos dos destinos onde estão cerca de 60 jogadores que são monitorados pela seleção antes da lista final. Esse mapeamento preliminar é feito sem contato com os atletas. 

Depois da divulgação dos convocados, a equipe de logística analisa o último jogo de cada um pelo clube e oferece duas ou três opções de voo, fazendo contatos individuais. A dificuldade está em adaptar os voos disponíveis às necessidades da seleção. "A gente tenta colocar o jogador na concentração da seleção o mais rápido possível", afirma o administrador da seleção, Luís Vagner Vivian. 

No dia da partida, os jogadores têm o horário do café da manhã livre, tomam um lanche reforçado antes do saída da concentração e vão para o estádio com o ônibus (existe outro de backup) e a van de segurança. Já os roupeiros, massagistas e seguranças vão antes, logo depois da abertura dos portões. Aí, começa o protocolo da organização, com aquecimento, checagem de números, conferência da documentação dos jogadores. A programação no estádio termina no exame antidoping e na entrevista dos jogadores e na zona mista. 

ANTECEDÊNCIA

O cronograma desse time que atua nos bastidores é bem diferente daquele que entra em campo. A participação na Copa América, por exemplo, começou seis meses antes, lá em dezembro. Sete pessoas de áreas diferentes viajam em geral duas vezes para conhecer o terreno. Na primeira, analisam hotéis, centros de treinamentos, condições de trânsito e do entorno, áreas de risco, aeroporto e imigração. Na segunda, um mês antes do torneio, acertam os últimos detalhes e refazem tudo o que foi planejado. 

Os locais dos próximos jogos da seleção nas Eliminatórias, Venezuela, Equador e Peru, por exemplo, já foram visitados. Existe certa preocupação em relação à Venezuela, que vive um momento político conturbado. 

Até a preparação para a Copa do Mundo da Rússia, que exige um planejamento com três anos de antecedência, também já começou, mesmo que o Brasil ainda dispute as Eliminatórias. "Os locais onde vamos ficar já estão mais ou menos programados", diz Gilmar Rinaldi, coordenador de seleções.

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