Seleção: zaga se defende das críticas

Na vitória ou na derrota, virou lugar-comum reclamar da defesa brasileira, sobretudo nas bolas paradas. A seleção sofreu alguns gols dessa forma recentemente - tanto nas Eliminatórias como na Copa das Confederações -, o que foi motivo de muitas críticas. Contestadas, evidentemente, pelos envolvidos em impedir que adversários tirem proveito de lances desse tipo."Está bem, aconteceram alguns gols assim", admite Dida. "Mas nem foram muitos", emenda. "Nos mesmos jogos em que levamos gols de bola parada, a defesa também evitou muitos outros. Contra a Alemanha, mesmo, foi assim", argumenta. "Não vejo isso como problema ou como falha do Brasil, mesmo porque também fazemos gols dessa forma." Lúcio tem visão semelhante à do goleiro. Na opinião do zagueiro, que ontem curtiu almoço em família no centro de Nuremberg, nas cobranças de falta e nos escanteios não é só a defesa que precisa ficar atenta. A colaboração vem também do meio-campo e do ataque. "Nos escanteios, aparecem seis, sete adversários, e precisamos contar com a ajuda de todos", explica. "Falhas existem, mas isso faz parte do jogo." Roque Júnior é um dos que não agüentam mais ouvir falar que a defesa é vulnerável nas bolas altas. Ele mesmo foi alvo de críticas, no gol de Borghetti na derrota para o México, e defende sua função e a de seus companheiros de zaga. "Fica mais fácil falar em erros defensivos", pondera. "Só que muitas vezes não se notam detalhes que poderiam deixar mais clara até onde vai a participação dos zagueiros." Não é todo mundo, porém, que pensa assim. Emerson acha que o Brasil vai bem, mas poderia melhorar nas bolas paradas. O volante acredita que, se aperfeiçoar esse aspecto, a seleção se torna quase imbatível."E não é mesmo só a defesa que tem de agir nessa hora", ressalva. "O conjunto conta muito, a colocação na área também." Durante a estada na Alemanha, não foram muitos os treinamentos táticos. Parreira deu atenção, no início, à postura da defesa e ensaiou jogadas de bola parada. Depois, com a seqüência de jogos e constantes mudanças de sede, preferiu exercícios mais ligeiros e não deu coletivos. A colocação do sistema defensivo, no entanto, aparentemente não o perturba. "Até o jogo com a Argentina, éramos a defesa menos vazada nas Eliminatórias", recorda. "Não somos vulneráveis como julgam."

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