Alfredo Fernandes/Divulgação
Alfredo Fernandes/Divulgação

Seleções viajarão até 5,5 mil quilômetros por todo o País na Copa de 2014

Voos fretados pela Fifa vão diminuir o impacto das grandes distâncias entre as sedes do Mundial

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

08 de dezembro de 2013 | 05h06

SÃO PAULO - Se não fossem pelos voos fretados que a Fifa oferece às seleções que vão disputar a Copa, muitas delas estariam em maus lençóis. O Estado fez um levantamento do trajeto que todas as equipes irão percorrer apenas para as partidas, sem se levar em consideração a distância que vão ter para ir e voltar dos Centros de Treinamentos de Seleções, e constatou que enquanto o Uruguai, bicampeão mundial, vai ter de ficar mais de sete horas no ar em voos entre Fortaleza, São Paulo e Natal, enquanto a tricampeã Alemanha gastará duas horas e meia dentro do avião para jogar em Salvador, Fortaleza e Recife.

As grandes distâncias entre as sedes já amedrontavam os participantes antes mesmo do sorteio. Depois que as bolinhas definiram o caminho de cada um, a situação piorou dependendo do caso. Os Estados Unidos, por exemplo, vão estrear em Natal, depois atuarão na Arena Amazônia, em Manaus, e encerram a fase de grupos em Recife. Isso tudo dá 5.588 quilômetros de voo, sem contar as condições climáticas que serão enfrentadas. As três cidades, por exemplo, são quentes e úmidas, fator que costuma arrepiar os estrangeiros dos países frios.

ESTADOS UNIDOS

O alemão Jurgen Klinsmann, técnico dos Estados Unidos, conta que já esperava que a situação seria complicada, mas não imaginava que daria tanto azar no sorteio. "Vamos fazer as viagens mais longas que uma equipe poderia ter na Copa, mas nós vamos lidar com isso com um sorriso no rosto e vamos ao ataque. Discutimos essa questão das viagens antes do sorteio e a nossa situação é a pior das piores. Cada treinador com quem eu conversei dizia que não queria ir para Manaus. Mas vamos nos preparar para isso e vamos estar prontos. Não há desculpas", diz.

Além dos Estados Unidos, outra seleção vai ultrapassar a marca de 5 mil quilômetros em voos: a Croácia, adversária do Brasil na primeira partida do Mundial. Para atuar na Arena Corinthians (São Paulo), na Arena Amazônia e na Arena Pernambuco (Recife), a equipe vai percorrer 5.512 quilômetros. O técnico Niko Kovac, inclusive, já está pensando em alterar o planejamento da seleção. "Talvez a gente fique em Salvador, pois é bem mais perto de Manaus que o Rio de Janeiro", afirma, sem saber que a diferença de voo entre os dois locais é de apenas 20 minutos.

Por sua vez, a festa no Amazonas foi grande, até porque a região terá a possibilidade de receber grandes partidas como Inglaterra x Itália e Portugal x Estados Unidos. Para Miguel Capobiango Neto, coordenador da UGP Copa, do Governo do Amazonas, o sorteio foi excelente. "Eu ainda estou sorrindo. Nós vencemos a Copa com isso”, afirma. Ele porém, rechaça as reclamações de seleções quanto às condições climáticas locais. “Não é a primeira vez que o Mundial será disputado em um país quente."

Se por um lado seleções tiveram destinos dos jogos distantes entre si, outras têm motivos de sobra para festejar. A Alemanha, por exemplo, percorrerá o menor trajeto entre os campeões mundiais. Serão 1.658 quilômetros para atuar em Salvador, Fortaleza e Recife. Já a Bélgica foi a maior beneficiada, pois vai voar apenas 726 quilômetros para jogar em Belo Horizonte, Rio e São Paulo.

Além da distância que vão percorrer no torneio, algumas seleções terão de enfrentar temperaturas bem distintas. É o caso de Honduras, quando sair do frio curitibano de 8,7°C para o calor amazônico de 31,2°C. (colaborou Raphael Ramos)

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